Uma ponte de 256 metros de extensão, orçada em R$ 3,2 milhões, vai substituir a travessia por balsa no Rio Ivaí, entre as cidades de Tapira e Santa Mônica, no Noroeste do Estado. A obra começou em maio do ano passado e deve ficar pronta até o final deste ano. O dono da empresa que explora o serviço de balsa, Gilberto Caetano, 31 anos, critica o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) que estaria construindo no local uma ponte desnecessária.
Caetano reconhece ter interesse na obra porque acabará com o serviço de travessia por balsa, mas insiste que a rodovia não tem movimento que justifique a construção de uma obra desse porte . ‘‘Mesmo depois de pronta, o aumento do fluxo de veículos não vai ser suficiente para compensar o investimento’’, argumenta. Segundo Caetano, em média, passam apenas 60 veículos por dia na balsa. ‘‘O DER acredita que com a ponte o movimento vai aumentar para 500, 600 carros por dia. Isto é impossível’’, sustenta.
Os municípios circunvizinhos a Loanda têm como cidade-pólo Paranavaí, a 51 quilômetros de distância, em média, enquanto a região de Tapira converge para Umuarama. ‘‘Os moradores de Loanda não vão passar a frequentar Umuarama, a 150 quilômetros, só porque terão a ponte’’.
Vânia MoreiraEle diz ainda que a ponte não vai atrair tráfego do Mato Grosso do Sul. Pouca gente vem de Mato Grosso do Sul por esta região porque tem de enfrentar 120 quilômetros de estrada de terra de Nova Andradina (MS) até o Porto São José, no Rio Paraná. Da mesma forma, a maior parte dos veículos que entrar no Paraná por Porto Camargo, quando ficar pronta a segunda ponte sobre o Rio Paraná, seguirão em direção a Umuarama e Maringá.
A ponte está sendo construída pela empreiteira Arteleste, de Curitiba. As obras estão na fase das fundações e seguem em ritmo lento devido a atrasos nos repasses de verba. Atualmente, apenas 40 operários trabalham no canteiro. O DER estaria devendo cerca de R$ 400 mil à empreiteira. Os diretores não confirmam o valor, mas garantem que não vão paralisar a obra por causa de atraso nas verbas.
Orçamento Segundo Paulinho Dalmaz, diretor-geral do DER, o governo vai incluir verbas no orçamento deste ano para a continuidade das obras. ‘‘Por causa do aperto financeiro, talvez a construção continue em ritmo lento, mas o DER não vai parar a construção’’, garantiu.
Dalmaz afirma que a ponte é importante para a integração do Extremo-Noroeste à malha rodoviária paranaense. A ponte de Guaíra (115 quilômetros a oeste de Umuarama) e a ponte em construção em Porto Camargo, no município de Icaraíma (67 km a noroeste de Umuarama) criam novos corredores de exportação com Mato Grosso do Sul. ‘‘Quem entrar no Paraná por Porto Camargo em direção à região de Paranavaí terá um caminho aproximadamente 50 quilômetros mais curto, sem ter de passar por balsa’’.
Só existe uma ponte sobre o Rio Ivaí ligando as regiões de Umuarama e Paranavaí, entre os municípios de Rondon e Paraíso do Norte. Outro engenheiro de obras do DER, que não quis se identificar, disse que mesmo não havendo aumento significativo de tráfego a ponte vai beneficiar mais de 25 municípios do Extremo-Noroeste separados pelo Rio Ivaí. ‘‘A população daquela região reivindica essa ponte há mais de 10 anos . O balseiro é o único que critica porque vai perder o negócio’’, disse o engenheiro.
Manifestação O prefeito de Tapira, Vagner Batista de Souza (PDT), também defende a ponte com unhas e dentes. Em 12 de setembro de 97 ele liderou uma manifestação para que o projeto, feito em 1986, saísse do papel. Quase 70 prefeitos se reuniram no Tapira Country Club para reivindicar o início das obras ao Secretário dos Transportes, Heinz Herwig. Dois meses depois, o governador Jaime Lerner (PFL) esteve em Tapira e assinou a ordem de serviço. Souza diz que a ponte vai tirar os municípios do Extremo-Noroeste do isolamento e ajudará a avalacar a economia regional.
O ex-prefeito e chefe de gabinete de Tapira, José de Souza, diz que o serviço de balsa entre Tapira e Santa Mônica é precário, demorado e caro. Os motoristas desviam o trajeto para não ter de ficar esperando a balsa e não pagar a taxa de R$ 6,00. Quando há enchente, a travessia fica perigosa e dependendo do nível do rio o serviço tem de ser suspenso. ‘‘Quando isso acontece, para ir a Santa Mônica , por exemplo, é preciso dar uma volta de quase 100 quilômetros’’, reclama. Passando pela balsa, a distância entre Tapira e Santa Mônica é de 27 quilômetros.

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