Pontal tem 4 casos suspeitos de cólera
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de março de 1999
Luciana Pombo 
Os casos de suspeita de cólera no litoral paranaense deixam o município de Paranaguá e começam a ser registrados também em Pontal do Paraná. Ontem, quatro moradores de Pontal procuraram postos de saúde da região com sintomas como diarréia e vômito. Um dos casos, considerado o mais grave, foi detectado em Pontal do Sul, que fica cerca de 45 quilômetros distante por estrada de Paranaguá, mas que é interligado ao município através de canais. O caso está sendo investigado pela Regional de Saúde, que já mandou coletar amostras da água de rios de Barrancos e Pontal do Sul para análise. Acreditamos que o vibrião do cólera não tenha chegado ainda nos rios que banham aquela região, mas temos que nos certificar, afirmou o diretor da regional, José Renato Pinheiro. Ele acredita que a doença possa ter atingido moradores que se alimentam ou trabalhaem em Paranaguá.
Os casos de suspeita de cólera também aumentaram no município de Paranaguá. Até o final da tarde de ontem, a secretaria de saúde do município computava 61 casos de suspeita da doença sendo investigados, sendo que 25 deles com as amostras coletadas e em fase de processamento. Sete casos foram confirmados e já estão sendo tratados.
Segundo o secretário municipal de saúde, Wolnei Bonotto, a grande preocupação para tentar evitar a proliferação da doença é a prevenção. Pensando nisto, a secretaria municipal, em parceria com a regional de Saúde, desenvolveu uma campanha junto aos bairros mais atingidos: Vila Guarani (onde foram registrados 80% dos casos), Porto dos Padres e Vila Cruzeiro. 40 agentes de saúde e quatro técnicos da secretaria estadual estão acompanhando o trabalho de prevenção.
De acordo com a agente de saúde Cybele de Oliveira, de 28 anos, a família recebe um questionário e é orientada sobre os riscos de comer frutos do mar, pisar em locais banhados por rios e tomar água não tratada. Damos as orientações necessárias para que a população se sinta protegida, disse ela.
Mesmo com as orientações, muitas pessoas ainda não sabem como agir. É o caso da dona-de-casa Neli Pinto dos Santos, de 44 anos. Ela contou que tem oito filhos e procura seguir todas as instruções dadas à risca. Deus nos livre de ter uma criança como uma doença como esta, disse Neli.
Mas enquanto os moradores estão preocupados com a alimentação, os pescadores e comerciantes da região estão pensando no lucro. O vendedor Santino dos Santos, de 68 anos, comprou peixes para revender na Vila Guarani. Eu vivo disto, pago as minhas contas com este dinheiro e não tenho medo de morrer, disse ele. Santos acredita que possa vender muitos peixes na região durante a semana santa e duvida que a doença possa ser transmitida por um peixe. Eu como qualquer coisa e sou capaz de comer todo este peixe antes de vender para provar para esta gente que este peixe não tem nada não, afirmou.


