A Vigilância Sanitária de Ponta Grossa recolheu ontem 144 caixas de medicamentos com os prazos de validade vencidos. Os remédios foram encontrados no final da noite de terça-feira, na Avenina Dom Geraldo Pelanda, jogados próximo ao terminal central de transporte coletivo, na área central da cidade.
Entre os medicamentos estavam analgésicos, antiinflamatórios, pastilhas, antibióticos e remédios pediátricos. Alguns remédios estavam vencidos desde outubro de 95. Não foram encontrados remédios do tipo faixa preta, que tem a venda controlada. Um dos medicamentos mais fortes era o Norvasc, recomendado para pressão alta.
O que chamou a atenção dos policiais, e principalmente da Vigilância Sanitária, é que uma das embalagens continha uma etiqueta de uma rede de farmácias de Ponta Grossa. Uma caixa de Magnopyrol, vencida em março deste ano, trazia o nome da farmácia Fleming, que possui seis estabelecimentos na cidade.
Darcio Glapinski, proprietário da rede Fleming, achou tudo muito estranho, mesmo porque era apenas uma caixa com a etiqueta da sua farmácia, no meio de dezenas de medicamentos. Segundo Darcio, a Fleming nem trabalha com o Sobernin, um dos remédios que foram encontrados. Somente do Sobernin existiam 36 caixas com a validade vencida.
Como boa parte dos medicamentos encontrados eram de amostras grátis, a Vigilância Sanitária acredita que eles devem ter sido dispensados por um consultório médico ou até mesmo por um representante de laboratórios. Joselito Pinheiro da Costa Júnior, chefe da vigilância, também isentou as farmácias Fleming de qualquer relacionamento com os medicamentos recolhidos.
Segundo Joselito, há mais de três anos que a Fleming deixou de utilizar o sistema de etiquetas nas embalagens de remédios, para trabalhar com o código de barras. ‘‘A embalagem que traz o nome da Fleming deve ter sido descartada por um consumidor’’, disse Joselito.
Joselito explicou que todo o medicamento vencido, das 98 farmácias de Ponta Grossa, são recolhidos através de uma coleta seletiva de lixo. Esses medicamentos têm como destino o aterro sanitário do município. Antes de ir para o lixo, todo o remédio dispensado por causa da validade é relacionado e controlado pelas farmácias e pela Vigilância Sanitária, disse Joselito.
Os remédios vencidos foram catalogados e armazenados pela Vigilância Sanitária, que está iniciando uma investigação para tentar descobrir a procedência desse produto.

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