Uma cidade que teve seu grande impulso econômico graças a implantação das linhas ferroviárias em suas terras. Uma cidade que justamente por causa do impulso econômico se transformou num centro cultural do Estado. Shows, teatros, cinemas. A vida cultural acontecia e era tão intensa que na frente do Cine Renascença, que mais tarde se transformou em Cine Inajá, as pessoas guardavam o sentido do tráfego como se fossem carros, conta o historiador da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Niltonci Batista Chaves. Ir ao cinema era mais do que uma diversão. Era um evento social. As apresentações culturais eram ponto de encontro para uma população que gostava de boa música, de boas peças teatrais e das novidades trazidas pelo cinema. Assim foi Ponta Grossa há muitos e muitos anos.
Nos últimos tempos, no entanto, algumas atividades começaram a ser deixadas de lado pelo público e esta semana o ciclo da decadência no cinema se completou. Desde ontem, a Princesa dos Campos não tem uma sala sequer de cinema. Com o filme ''Todo Mundo em Pânico 2'', a última grande sala de projeção da região dos Campos Gerais encerrou suas atividades no domingo.
As 1,2 mil poltronas do Cine Inajá, no entanto, não sentirão muita falta. Afinal, o público por lá já era escasso. A pipoca servida no Inajá talvez seja o melhor exemplo disso. Ela era preparada no microondas. Um único forno dava conta de atender todo mundo. Tirando as quartas-feiras, quando era cobrada só meia entrada, o público se restringia a 20 ou 30 pessoas por noite, em dias de movimento bom. Já houve sessões de cinema do Inajá assistidas por apenas um casal.
A consequência dessa falta de interesse é que a empresa que explorava a atividade não teve mais como se manter na cidade. Fechou as portas. O historiador foi ao cinema na sexta-feira se despedir de uma fase da vida da cidade em que o cinema era o símbolo maior da modernidade capitalista. Desde ontem, o Inajá é sede de mais uma igreja na cidade. E para o historiador, o fim dessa era demonstra a crise que vive a sociedade contemporânea. ''Ao invés de se apegar à racionalidade, que pode ser trazida pelo cinema, as pessoas estão se agarrando à crença''.
Ponta Grossa deve voltar a ter cinema a partir da segunda quinzena de novembro, quando serão inauguradas as salas do Shopping Total.

mockup