Ponta Grossa enfrenta desafio econômico
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
O município de Ponta Grossa, na Região dos Campos Gerais do Paraná, comemora hoje 177 anos com o desafio de continuar saindo da estagnação econômica que vinha passando nas últimas duas décadas. Até os anos 70, o município, que contava com pouco menos de 100 mil habitantes, tinha como principal atividade econômica a produção rural. Foi com a implantação de quatro grandes moageiras de grãos em Ponta Grossa que o perfil econômico começou a mudar.
Com o grande crescimento econômico dos anos 70, parte da população de municípios pequenos do interior do Estado migrou para o centro regional em busca de novas oportunidades. A população passou dos 200 mil habitantes e também houve uma mudança no perfil social, com crescimento da participação de classes sociais mais baixas no conjunto da sociedade. Mas o setor industrial continuava concentrado na dependência da produção agrícola, matéria-prima das moageiras.
Com a decadência do ciclo da soja/milho/trigo nos anos 80, Ponta Grossa entrou em depressão econômica e social. Perdeu importância no cenário estadual. A produção intensiva de grãos começou a se deslocar do Sul e Sudeste para novas fronteiras agrícolas como Mato Grosso e Goiás. Isso encareceu a atividade e inviabilizou alguns setores de transformação de produtos primários. Até a unidade moageira da multinacional Cargil símbolo do desenvolvimento de Ponta Grossa nos anos 70 paralisou suas atividades.
Só nos últimos cinco anos que o município começou a sair da crise, com a diversificação da atividade industrial após a instalação de unidades industriais que vão desde a produção de pneus para automóveis até carpets residenciais. A maior fabricante mundial de produtos automotivos, a empresa alemã Continental Pneus, iniciou uma linha de produção em Ponta Grossa.
A fábrica de embalagens Tetra Pak única a produzir embalagens longa vida de papel no Brasil instalou sua segunda unidade nacional na cidade. A Beaulieu Carpets e a fábrica de canetas Ita também fazem parte do novo parque industrial do município.
Com a diversificação de setores econômicos, Ponta Grossa volta a crescer. Segundo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1983 a renda anual per capita em Ponta Grossa era de US$ 1.403. Em Maringá, município com mesma população, era de US$ 1.394 e a média paranaense no ano ficou em US$ 1.484.
Em 1989 a renda em Ponta Grossa havia caído para US$ 1.196. Em Maringá ela passou a US$ 1.218 e a média paranaense era de US$ 1.197. Em 1997, a renda anual do pontagrossense havia passado a US$ 3.423. Em Maringá ela já era de US$ 4.606, enquanto a média paranaense ficou em US$ 3.712.
Apesar do início de recuperação econômica, Ponta Grossa continua atrás de Maringá. O processo de modificação da produção industrial paranaense, beneficiado pelo interesse despertado pelo Mercosul aos investidores internacionais, também beneficia o município. A localização geográfica e as opções de transporte (ferroviário e entroncamento rodoviário) é um dos principais trunfos da cidade para continuar ganhando espaço na economia estadual.


