''Nossa cidade virou um grande depósito de pombas.'' A frase da dona-de-casa Jandira Gavetti define bem a situação de moradores das diversas regiões da cidade que convivem com a proliferação de uma ave capaz de infernizar a vida de quem deixa o carro embaixo de árvores, e também de transmitir doenças através de suas fezes e piolhos. Dona Jandira, vizinha há quase 50 anos do Cemitério São Pedro (Centro), não tem razão apenas quando compara a cidade a um pombal, mas também quando diz que acha ''um absurdo'' quem alimenta as pombas.
A comida farta altera os hábitos da ave, que passa a se reproduzir duas vezes mais. No campo, como têm que lutar por comida, limitam sua reprodução. Segundo a engenheira agrônoma Maria Augusta Gambarini Spagnolo, que trabalha no combate a pragas urbanas, o hábito de alimentá-las gera também outro problema: ''Os restos de comida, como grãos, servem de chamariz para outras pragas. Atrás dos pombos vêm os ratos e baratas''. Ela enfatiza que a melhor forma de incentivar que os pombos voltem para o campo, que é seu ambiente original, é não alimentá-los de ''maneira alguma''. Segundo a agrônoma, no campo também já existe desequilíbrio, mas o controle é mais fácil.
É bom lembrar que quando se alimentam na natureza, as pombas se abastecem de insetos, colaborando para a cadeia alimentar. As iguarias oferecidas no ambiente urbano, como milho, farelos de pão e arroz não suprem as suas necessidades.
Maria Augusta informa que os ninhos podem infestar o ambiente com os minúsculos piolhos, ácaros que em contato com a pele geralmente causam irritações e, quando infectados, podem transmitir doenças. No caso das fezes, a agrônoma esclarece que o maior perigo é quando a secreção seca e o seu pó é inalado. Meningite, doenças respiratórias e salmonelose (doença infecciosa aguda do aparelho digestivo causada pela ingestão de alimento contaminado com fezes da ave) são alguns dos perigos.
''Nunca se deve varrer superfícies com fezes secas. É preciso antes umedecê-la com solução de água sanitária ou amônia quaternária e água, na proporção de um por um, e aplicar usando máscara e luva'', ensina. Ela explica que as fezes são superácidas e chegam a estragar a pintura de carros.
Dona Jandira, que mora na Avenida São Paulo, diz que por conta das aves, a rua ''está um nojo''. Segundo ela, quando chove o cheiro é insuportável. ''Sem falar nos piolhos, que já infestaram nosso prédio e foi preciso fazer a desinfecção.'' Sábia, dona Jandira aponta a origem do problema: ''A causa de tudo está no desequilíbrio ambiental'', afirma. Maria Augusta concorda: ''O desmatamento e o rápido crescimento de algumas áreas de Londrina têm gerado grandes problemas ligados ao ambiente. Em todo o ano passado não vendemos nem 10% do volume de repelentes para pombos e morcegos que já comercializamos este ano.''
O coordenador de capina, roçagem e varrição da CMTU, Délcio Martin, informa que os únicos locais que são lavados a cada 30 dias na cidade são o Calçadão, o Bosque (Centro) e a Praça Nishinomiya (Zona Leste). Nas outras calçadas e ruas é feita a varrição.

Serviço: Informações sobre controle dos pompos podem ser obtidas na Higisene Higienização de Ambientes - (43) 3338-7196 e Fazfértil Produtos Agropecuários - (43) 3328-4499.

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