Pombos oferecem risco à vida de londrinenses
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quinta-feira, 13 de julho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A saúde e até a própria vida dos londrinenses pode estar em perigo devido à superpopulação de pombos na cidade, que já ultrapassa 170 mil somente na Área Central. Não é puro alarmismo: na região metropolitana de São José do Rio Preto (interior de São Paulo), um estudo apontou que a criptococose, doença associada a essas aves, fez aproximadamente 350 vítimas nos últimos 14 anos, das quais 70% morreram.
Como até hoje não há informações sobre o impacto dos pombos na saúde pública em Londrina, os dados do município paulista devem, no mínimo, servir de alerta. As duas cidades enfrentam problema semelhante. Segundo o médico sanitarista Cássio Melo, da Vigilância Epidemiológica de São José do Rio Preto, apesar de algumas ações implementadas pelo poder público nos últimos anos, lá a população de pombos ultrapassa centenas de milhares.
Elisabet Liso, professora de Neurologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), vem monitorando o número de pacientes que contraíram criptococose naquela região desde 1992. Até hoje, foram cerca de 350 casos registrados, 60% em Rio Preto e os demais na região metropolitana. Destes, em torno de 260 vieram a óbito.
A doença, que é causada por um fungo e pode evoluir para uma meningite, tem entre seus principais agentes transmissores os pombos. A pesquisadora frisa que não há garantia de que as aves tenham sido as responsáveis, mas que é uma hipótese muito provável. ''O bom senso diz que, em uma cidade onde você tem ao mesmo tempo incidência da doença e pombos demais, deve-se tomar medidas para evitar a transmissão'', alerta.
Elisabet explica que a criptococose pode não ter consequência nenhuma ao acometer uma pessoa saudável, mas é extremamente perigosa em indivíduos com baixa defesa imunológica - como doentes de AIDS e pessoas que tomam medicamentos imunossupressores. De acordo com a professora, 85% dos pacientes estudados por ela eram soropositivos.
''É importante conscientizar as pessoas. Aqueles que tem baixa resistência, por exemplo, deveriam ser orientados a não frequentar lugares com muitos pombos'', observa. A criptococose pode atingir todo o organismo, provocando comprometimento ocular, pulmonar, ósseo e da próstata, além de lesões na pele. Quando pombos são os vetores da doença, a transmissão ocorre através da inalação do pó resultante das fezes secas das aves.
Em Londrina, moradores do Centro acreditam que os pombos também podem estar causando doenças. A professora de educação física Marilene Taramelli, que mora e trabalha perto do Bosque Municipal - reduto de milhares de pombos - está certa de que as aves foram responsáveis pela enfermidade que já a levou ao hospital duas vezes nas últimas semanas. ''É uma alergia terrível, sinto falta de ar, rouquidão. Fiz exames no hospital e os médicos não acharam nada visível no meu pulmão. Na segunda vez tomei soro anti-alérgico e melhorou um pouco'', conta.
Por precaução, Marilene passou a usar uma máscara protetora. Para ela, o Poder Público está negligenciando a saúde da população. ''A prefeitura tem que tomar uma posição sobre o que fazer para diminuir o número de pombos, e rápido. Ou vão esperar alguém morrer?'', provocou.
A reportagem procurou a secretária municipal de Saúde de Londrina, Josemari de Arruda Campos, em busca de dados sobre uma possível incidência da doença no município, mas ela estava em reunião na tarde de ontem. A responsável pela área na Vigilância Sanitária também não foi localizada até o fechamento da edição.


