Pombos levam mensagem a FHC
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terça-feira, 15 de abril de 1997
Guilherme Pupo 
Da Sucursal
Marcelo AlmeidaPombo-correio é solto no centro de Curitiba: presidente Fernando Henrique deve receber mensagem hojeQuatro pombos-correios estão voando para Brasília com um recado dos carteiros paranaenses ao presidente Fernando Henrique Cardoso. As aves foram soltas ontem em Curitiba, na Rua XV de Novembro, e levam a seguinte mensagem: Presidente, vista a camisa dos carteiros - aprove o projeto que concede 30% de adicional de periculosidade aos carteiros.
Se não enfrentarem nenhum imprevisto - como gaviões ou fios de alta tensão -, os pombos devem chegar hoje à tarde ou amanhã pela manhã numa cidade satélite de Brasília, onde está localizado o criador das aves. Um representante dos carteiros deve levar a mensagem ao Palácio do Planalto.
O projeto de lei que concede adicional de periculosidade à categoria foi aprovado por unanimidade no Senado Federal em 2 de abril. Se for sancionado pelo presidente, os 75 mil trabalhadores do setor no País vão passar a ganhar 30% a mais.
O salário inicial de um carteiro é de R$ 260,00 para oito horas de trabalho. Depois de três meses de experiência, passa para R$ 290,00. No Paraná, há 3,2 mil empregados da categoria e, em Curitiba, cerca de 800.
AssaltosDez mil cartões postais foram impressos e estão sendo distribuídos à população para serem enviados a Brasília. Além da mensagem, o cartão mostra uma foto do presidente vestindo um agasalho dos Correios. Os carteiros paranaenses também estão recebendo aerogramas, onde podem escrever mensagens de próprio punho.
Queremos sensibilizar o presidente. Esse adicional de periculosidade vai compensar os prejuízos causados com as doenças adquiridas pelos carteiros, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios (Sintcom-PR), Aerovaldo Figueiredo.
Ele observa que os carteiros, além de carregar pesos superiores a 25 quilos, trabalham sob diversas condições de insalubridade - desde mordidas de cachorro e assaltos até variações de temperatura. O carteiro José Figueiredo de Oliveira, de Maringá, foi assaltado em julho de 96. Não sofreu ferimentos, mas perdeu um malote com documentos e objetos. Ele disse que já soube de outros três assaltos a carteiros na cidade.


