Pombas domésticas também serão abatidas
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sábado, 19 de agosto de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Além das pombas silvestres, as domésticas também deverão ser sacrificadas em Londrina. A informação foi prestada ontem por representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), durante audiência pública que discutiu o assunto. A equipe técnica formada para estudar o controle das aves deverá iniciar um levantamento para definir os custos e o período necessário para o abate. O número de pombos que serão mortos deverá ser superior aos 50 mil sugeridas pelo Centro de Investigações em Medicina Veterinária, da Universidade Estadual de Londrina.
''Em novembro de 2005 contamos 170 mil pombos só no Centro da cidade e outras 3 mil nas ruas centrais. Abater 50 mil pombos não vai fazer nem 'cosquinha''', disse a veterinária Anne Christina Hiltel, assessora de gabinete da Sema. Segundo ela, as pombas domésticas foram incluídas no sacrifício porque transmitem mais doenças do que as silvestres. ''Também estamos preocupados com a gripe aviária, que provoca a morte das pessoas'', afirmou Anne. A influenza é transmitida pelas aves migratórias, mas ainda não foi registrado nenhum caso da doença no País.
Segundo ela, o prefeito Nedson Micheleti (PT) teria ''dado um sinal positivo'' ao sacrifício e, por isso, após o levantamento de custos o Município deverá iniciar uma licitação para contratar a empresa que fará o serviço. Além disso, o Executivo espera viabilizar recursos do governo federal para o controle e manejo das aves e busca firmar parcerias com a iniciativa privada. A estimativa é que os trabalhos tenham início até o final do ano. ''Esperamos a liberação do Ibama para iniciarmos os serviços'', comentou. O abate é a medida mais polêmica adotada pela comissão, mas não é a única.
Também deverão ser desenvolvidos trabalhos a curto, médio e longo prazo como a criação de uma lei municipal que proíbe a alimentação das aves; a construção de pombais; campanhas de conscientização ambiental; reposição da mata ciliar e reserva legal no entorno da cidade; introdução de falcões como forma de controlar a espécie; e medidas que visem conter o desperdício nas lavouras. ''É um problema de saúde ambiental e tem que ser feito um manejo integrado de controle de pragas. Tem que ser feito um monitoramento contínuo da população dos pombos e da sanidade'', comentou Anne.
Segundo o professor Ivens Guimarães, do Centro de Investigações, a intenção é examinar 10% dos pombos abatidos. ''Essas aves são sentinelas biológicas que provocam impacto ambiental, mas somente o abate não é a solução é uma das medidas adotadas'', afirmou. Já a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, disse que o controle da população das aves será feito por técnicos e que a caça não será liberada. ''Estamos ouvindo especialistas que dizem que o abate é uma das medidas para o controle das aves, mas também será adotado um plano de ações contínuas para o manejo dos pombos'', comentou.
Contrários Durante a audiência, foram manifestadas algumas posições contrárias ao sacrifício. A médica pneumologista Andréa Jacomossi Santana, representante do SOS Vida Animal, lembrou que os fungos inalados das fezes dos pombos só provocam doenças em pessoas imunodeprimidas e questionou sobre um levantamento do número de casos na cidade. A Sema reconheceu que não tem esse registro porque a notificação dessas enfermidades não é obrigatória. Andréa também discorreu sobre experiências semelhantes de países desenvolvidos que não deram certo.
''Há técnicas para se fazer a limpeza das ruas, que não são utilizadas aqui. Há algum tempo a cidade não tinha sequer garis'', observou a representante do SOS Vida Animal. ''A nossa opinião não vai mudar esse abate, mas não aprovamos isso. Há negligência do governo em lidar com a questão'', afirmou. Já o desemprego Luiz Carlos Caraco sugeriu que antes de abater as pombas fosse feita a poda das árvores da região central como forma de reduzir a sujeira das aves e de facilitar a ação de predadores.


