Pombas amanhecem mortas no Centro
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segunda-feira, 09 de junho de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Ontem pela manhã comerciantes da Praça Willie Davids, localizada em frente ao Cine Teatro Ouro Verde (Centro), estranharam a ausência de pombas que ficam todos os dias no local, e se espantaram ao ver que várias estavam mortas. ''Cheguei umas 8h30 e achei que elas estavam na grama, tomando sol. Quando me aproximei, vi que estavam mortas. Não sei quantas morreram, mas acho que são mais de 20'', contou a vendedora Ulda Batista, que acredita que as aves foram envenenadas, já que não apresentam nenhum sinal de violência.
Mesmo sentindo-se incomodada com a sujeira e o mau cheiro causados pelas fezes das pombas, Ulda acredita que matar não é a solução. ''Tudo que é demais incomoda, mas matar não é a saída para acabar com elas. Talvez o melhor seja levá-las para bem longe'', apontou a comerciante.
A mortandade reacende a polêmica em torno da superpopulação de pombos na cidade (estima-se que existam em torno de 300 mil aves). Para o taxista Armando de Jesus, as aves atrapalham a vida de todo mundo. Além do mau cheiro, ele não suporta a sujeira que elas fazem. ''Tenho que lavar o carro a todo momento, até porque ninguém vai querer entrar em um taxi sujo. Já que não pode matá-las, o jeito é cortar as árvores'', ironizou.
A médica veterinária da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), Anne Christina Hiltel disse que, pessoalmente, previa que isso poderia acontecer algum dia. ''A população fica esperando uma solução, mas como não se tem nada definido, as pessoas cansam e procuram resolver o assunto por conta própria, infelizmente'', afirmou.
A promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, disse que matar pombas sem a devida permissão, licença ou autorização do órgão competente é um crime ambiental, com pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa. Sobre a questão da superpopulação, a promotora afirmou que está aguardando uma resposta do município sobre o plano de manejo das pombas.
Recentemente, a 17 Regional de Saúde de Londrina organizou um seminário para discutir o assunto, mas não apontou uma solução. No encontro, o abate foi descartado, pois chegou-se à conclusão que o problema é ambiental e não de saúde. O secretário municipal do Ambiente, Gerson da Silva, estava em viagem ontem e não foi localizado para dar entrevista. Nenhum órgão público soube informar se os animais seriam recolhidos para análise. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, fiscais da Sema iriam até o local para constatar o fato.


