Dorico da Silva‘Vandalismo’Silva e Oliveira acusam presidente da associação de promover corte de árvoresComo acontece em boa parte dos bairros das médias e grandes cidades, a associação de moradores do San Rafael também catalisa as reivindicações, reclamações e conquistas da comunidade. Atualmente, a decisão sobre o que fazer com o pomar comunitário instalado no fundo de vale do córrego do Irará (pequeno animal silvestre, mamífero e carnívoro) está dividindo as lideranças locais.
O ex-presidente da associação, Rafael Nascimento de Oliveira, e o atual vice-presidente, Geraldo Alves da Silva, contam que o pomar - com 1.350 mudas de diversas espécies frutíferas - foi montado há três anos através de mutirões, que contaram com a colaboração de crianças, jovens e adultos do bairro. ‘‘Mas desde o final do ano passado, o atual presidente da associação tem instruído pessoas para cortar as árvores frutíferas. É um absurdo, uma tragédia. Este vandalismo precisa ser punido pelas autoridades’’, afirma Oliveira, mostrando galhos das árvores cortadas.
Ele lembra que as mudas foram conseguidas, junto às secretarias estadual e municipal de agricultura, na época em que dirigia a entidade de moradores. ‘‘Nosso objetivo, ao montar o pomar comunitário, era o de produzir frutas para o consumo das crianças da creche e dos alunos da escola local. Com o excedente, colocaríamos em funcionamento uma pequena escola-indústria de sucos e compotas naturais. Mas agora, fica mais difícil viabilizar este projeto’’, afirma Rafael Oliveira.
O presidente da associação, Antonio Rosa, nega que pretenda cortar as árvores frutíferas, mas explica que dividiu a área em 34 pequenos lotes que estão sendo utilizados por famílias para a produção de alimentos como milho, mandioca, batata-doce e verduras. ‘‘O pomar estava meio abandonado, porque poucas pessoas se dispõem a ajudar na manutenção. Então, a solução que encontramos foi a de ocupar melhor a área, cedendo para que os moradores vizinhos plantem nela o que têm interesse.’’
De acordo com Rosa, que ocupa o cargo pela segunda vez, ficou acertado com as famílias o compromisso de, inclusive, continuar plantando árvores frutíferas no local.
O chefe regional do Ibama, José Carlos Vargas, diz que esteve no pomar comunitário para checar a denúncia. ‘‘É lógico que aquelas árvores frutíferas são importantes para a proteção daquela fundo de vale, que não conta mais com mata ciliar. Mas o corte de pés de frutas não é proibido por lei.’’ O secretário de Agricultura de Ibiporã, Miguel Pereira de Souza, confirma o acordo e afirma que está havendo exagero nas denúncias dos adversários do atual presidente da associação. (O.C.)

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