Não é só porque estão todos acostumados com a beleza dos modelos, com as salas com ar-condicionado e os melhores perfumes que o cenário é mais desolador. A imagem da poluição no rio Tietê assusta e entristece as pessoas, sejam elas do mundo da moda ou não. Ontem de manhã, um grupo de jornalistas e convidados enfrentou a chuva, o mau-cheiro e até mesmo o medo de doenças para ver o desfile-protesto da grife Cavalera durante a São Paulo Fashion Week (SPFW).
Munido de máscaras, capas e guarda-chuvas, o público de cerca de 200 pessoas embarcou no ''Almirante do Lago'' (única embarcação com autorização para navegar pelo rio) para ver as novidades para o Inverno 2008 da marca. Mas como a proposta é justamente a reciclagem - e por isso a locação inusitada -, várias peças já eram conhecidas e passaram por transformações nas mãos dos estilistas liderados por Marcelo Sommer.
A reconstrução é palavra de ordem não só na coleção da Cavalera. Olhando as fotos antigas do rio, em que pessoas até nadavam por lá, ainda há uma esperança. Otimistas e incoformados como o Instituto Navega São Paulo continuam trabalhando para um novo panorama. A missão do instituto é ''gerar processos de conscientização ambiental''. Navegar pelo Tietê, no trecho mais degradado, é um desses processos em andamento.
No sábado à noite, o Ministro da Cultura Gilberto Gil esteve no prédio da Bienal onde acontece a SPFW. ''Encarem minha presença aqui como um gesto singelo para uma grande parceria'', disse. De acordo com o Ministro, a visita servirá para reconhecer a moda como fator cultural. ''O Ministério da Cultura quer que o Governo e as instituições reconheçam e apóiem a moda'', garantiu Gil, acompanhado pelo diretor artístico do evento Paulo Borges.
Depois de seis dias de desfiles com as novas possibilidades para o o outono-inverno, a SPFW termina hoje. As coleções apresentadas na passarela paulistana devem chegar às lojas no início de março.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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