Poluição preocupa vizinhos
Vizinho desde 1983 do Igapó 2, o engeheiro civil Paulo Roberto de Oliveira, 58, teme que a inundação acabe levando a situação do lago mais democrático do complexo ao esquecimento. Sua preocupação diz respeito também a degradação que embora não seja visível, se mostra muito mais letal: a contaminação por metais pesados e poluentes.
O temor foi confirmado por um estudo de biomonitoramento da saúde dos peixes dos lagos lambaris e cascudos realizado há anos pela professora e pesquisadora do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cláudia Bueno dos Reis Martinez. O trabalho apontou que a água que vem da bacia do Ribeirão Cambé e que forma os quatro lagos urbanos artificiais está poluída, sobretudo, por compostos orgânicos como esgoto, metais pesados e pelos chamados hidrocarbonetos substâncias derivadas de petróleo.
Não imaginava que havia um ecossistema tão grande no fundo do lago, com muitos moluscos e peixes. Eu e minha esposa chegamos a recolher conchas de quase 15 centímetros de diâmetro. Se não hover uma ação integrada, envolvendo todos os lagos e a Bacia do Cambezinho, isso tudo futuramente se tornará um córrego por conta do assoreamento, avaliou Oliveira.
O maior problema, segundo o engenheiro, foi iniciar as obras de reformas, segundo ele sem um projeto, incluindo ainda um Estudo de Impacto Ambiental. As três primeiras etapas das obras do Igapó consumirão cerca de R$ 1 milhão em investimentos. Assim como a cifra, a obra também é marcada por grandes polêmicas, como a demora na sua conclusão, a suspeita de crime ambiental que resultou na instauração de um inquérito policial e a saída de um secretário de governo.





