Osmani Costa
De Londrina
Os 134 donos de chácaras no bairro do Rancho Ringo, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), denunciam que estão sendo obrigados a abandonar sua principal fonte de renda – o plantio de hortaliças – em consequência do assoreamento e da poluição por coliformes fecais das águas do Ribeirão São Domingos, que faz a divisa daquele município com Londrina.
Chacareiros que moram há décadas naquele bairro rural afirmam que o problema está sendo causado, nos últimos três a quatro anos, pela terra, lixo doméstico e dejetos humanos que descem para o ribeirão levados pelas enxurradas vindas dos assentamentos João Turquino e Campos Verdes, regularizados pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina.
‘‘Além de muita terra, em dia de chuva o ribeirão recebe todo tipo de lixo. Vêm garrafas plásticas, pedaços de madeira, restos de construção. Tudo isto foi assoreando o leito do São Domingos, que antes era estreito e fundo. Agora, ele está raso e espraiado’’, comenta o presidente da associações de donos de chácaras, o aposentado Jairo Alves Nunis.
Segundo ele, o assoreamento provoca constantes transbordamentos do ribeirão e muitos fundos de chácaras já foram completamente alagados. ‘‘Tem propriedade que já perdeu mais de 20 metros de terra, alagada pelas águas rasas do ribeirão. O pior é que justamente na parte alagada ficavam as poços e minas de água potável das chácaras.’’
O presidente da associação ressalta que o problema é ainda mais grave porque a água do São Domingos, neste ponto, está muito poluída por coliformes fecais. ‘‘Lá no assentamento não há rede de esgoto. As fossas são rasas, porque o terreno é pedregoso. Quando chove, elas transbordam e tudo desce para o ribeirão trazido pela enxurrada’’, afirma Jairo Nunis.
Ele conta que seguidas análises de água realizadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) confirmaram o índice de contaminação por coliformes fecais muito acima do tolerável no São Domingos. ‘‘Não dá mais pra produzir hortaliças e nem tomar a água dos poços e minas das chácaras. Nossa situação é crítica, nosso principal negócio ficou inviabilizado. Muitos donos já venderam ou estão tentando vender suas chácaras. A desvalorização dos imóveis é grande’’, diz o presidente da associação.
De acordo com ele, a responsabilidade não é das famílias humildes assentadas no João Turquino e Campos Verdes, mas das autoridades que permitem este tipo de assentamento sem infra-estrutura completa. ‘‘Em algum lugar este povo tem que morar, mas não precisava ser num local tão ruim e com tão poucas condições. As ruas são todas de terra, numa baixada muito acentuada e sem coleta de esgoto’’, critica Jairo Nunis.
Lembrando que está sendo obrigado a comprar água mineral para sua família tomar, principalmente porque tem duas crianças pequenas, o chacareiro acusa ainda as autoridades dos dois municípios de praticar o jogo do empurra-empurra. ‘‘Estamos cansados de reclamar na Prefeitura de Cambé, na Cohab e outras secretarias de Londrina. Em Cambé, dizem que o problema é causado por assentamentos feitos pela Cohab londrinense. Em Londrina, dizem que moramos e pagamos impostos em Cambé e que é a prefeitura daqui que tem que resolver o problema do São Domingos. Não sabemos mais a quem recorrer.’’Lixo doméstico causa assoreamento em ribeirão que fornece água para irrigação. Dejetos humanos contaminam o manancial
Dorico da SilvaFORA DO CURSOO ribeirão São Domingos ‘‘espraiado’’, conforme dizem os chacareiros, na ponte que liga os dois municípios

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