O problema é alarmante e a direção da Sanepar - Companhia de Saneamento do Paraná confirma: quatro dos cinco rios que integram a Estação de Captação de Água do Rio Iguaçu estão contaminados, o que dificulta e encarece o tratamento que viabiliza o consumo. Nos últimos cinco anos a empresa gastou 60% a mais em produtos químicos (as despesas passaram de R$ 156 mil para R$ 250 mil). Se nenhuma atitude for tomada já, a poluição poderá inviabilizar todo o processo de captação de água, alerta o gerente da Unidade de Serviço de Produção de Água da Região Metropolitana, Agenor Zarpelon.
A denúncia foi feita pelo vereador Gustavo Fruet (PMDB), presidente da Comissão de Assuntos da Região Metropolitana da Câmara de Vereadores, e confirmada pelo diretor-presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas. Apesar disso, Freitas garante, em uma carta resposta à Câmara, que a água sai das estações de tratamento dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde.
‘‘A qualidade da água tratada depende essencialmente da qualidade da água colhida do rio. Quando esta atinge limites de poluição que venham a comprometer a garantia da qualidade da água tratada, o processo de tratamento é interrompido’’, explica Freitas.
A Estação do Iguaçu é responsável por cerca de 60% da água consumida nos 25 municípios da Região Metropolitana. Os rios Palmital, Iguaçu, Itaqui e Pequeno foram enquadrados na classe 4, usada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para classificar rios com alto grau de contaminação. O limite de poluição tolerado pelo Conama são rios da classe 3, caso do Iraí.
Um exemplo da gravidade do problema, segundo documento entregue a Fruet pela Sanepar, é a quantidade de coliformes fecais encontradas nos rios. O limite tolerado pelo Conama em um rio é de 4 mil coliformes fecais e 10 mil coliformes totais (quatro bactérias poluentes, inclusive os coliformes fecais) por 100 mililitros de água. O documento da estatal mostra que em certos locais, como na bacia de captação do Iguaçu, o índice já chegou a atingir quase 1 milhão de coliformes fecais por 100 mililitros de água, 100 vezes mais que o permitido. As fezes humanas são o fator mais poluente, devido às construções irregulares próximas aos rios de captação.
Avaliação feita pela Sanepar em março revela que apenas um dos rios que abastecem a Estação do Iguaçu tem coliformes em quantidade aceita pelo Conama. É Rio Itaqui, que tem 1,2 mil coliformes fecais e 5,6 mil totais por 10 mililitros de água. O Rio Pequeno apresentou 6 mil coliformes fecais e 37 mil totais; o Rio Iraí, 13 mil fecais e 56 mil totais; o Rio Iguaçu 27 mil fecais e 54 mil totais e o Rio Palmital, o mais poluído, tem 140 mil coliformes fecais e 159 mil totais. ‘‘A situação é alarmante e tende a se agravar’’, admite Arlineu Ribas, gerente de Hidrogeologia da Sanepar.
Alheias ao problema, as famílias pobres que moram nas margens dos rios vivem seus próprios dramas. A vendedora Maria Marta Pelosi, 48 anos, que mora na beira do Rio Palmital há um ano, proíbe os três filhos de nadar e pescar no rio. ‘‘A gente está aqui não por gosto, mas tem que ser assim, para não pagar aluguel’’, conta. Ela, o marido e as crianças deixaram uma chacará em Joinville (SC) para tentar a sorte em Curitiba. Lamentam a troca. ‘‘Ô saudade de lᒒ, diz Maria.
Criado próximo às margens do Rio Palmital, o pedreiro Batista Pereira, 34 anos, e o servente José Rodrigues, 36, pescam há anos no rio e não querem mudar o hábito. Pereira não teme a contaminação do rio. ‘‘Bem fritinho, o peixe vai que é uma beleza’’, diz. Segundo ele, a cachaça que acompanha a refeição e a pescaria faz com que ele não fique doente.

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