Poluição pode inviabilizar a captação de água no Rio Iguaçu
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terça-feira, 14 de abril de 1998
James Alberti 
O problema é alarmante e a direção da Sanepar - Companhia de Saneamento do Paraná confirma: quatro dos cinco rios que integram a Estação de Captação de Água do Rio Iguaçu estão contaminados, o que dificulta e encarece o tratamento que viabiliza o consumo. Nos últimos cinco anos a empresa gastou 60% a mais em produtos químicos (as despesas passaram de R$ 156 mil para R$ 250 mil). Se nenhuma atitude for tomada já, a poluição poderá inviabilizar todo o processo de captação de água, alerta o gerente da Unidade de Serviço de Produção de Água da Região Metropolitana, Agenor Zarpelon.
A denúncia foi feita pelo vereador Gustavo Fruet (PMDB), presidente da Comissão de Assuntos da Região Metropolitana da Câmara de Vereadores, e confirmada pelo diretor-presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas. Apesar disso, Freitas garante, em uma carta resposta à Câmara, que a água sai das estações de tratamento dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde.
A qualidade da água tratada depende essencialmente da qualidade da água colhida do rio. Quando esta atinge limites de poluição que venham a comprometer a garantia da qualidade da água tratada, o processo de tratamento é interrompido, explica Freitas.
A Estação do Iguaçu é responsável por cerca de 60% da água consumida nos 25 municípios da Região Metropolitana. Os rios Palmital, Iguaçu, Itaqui e Pequeno foram enquadrados na classe 4, usada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para classificar rios com alto grau de contaminação. O limite de poluição tolerado pelo Conama são rios da classe 3, caso do Iraí.
Um exemplo da gravidade do problema, segundo documento entregue a Fruet pela Sanepar, é a quantidade de coliformes fecais encontradas nos rios. O limite tolerado pelo Conama em um rio é de 4 mil coliformes fecais e 10 mil coliformes totais (quatro bactérias poluentes, inclusive os coliformes fecais) por 100 mililitros de água. O documento da estatal mostra que em certos locais, como na bacia de captação do Iguaçu, o índice já chegou a atingir quase 1 milhão de coliformes fecais por 100 mililitros de água, 100 vezes mais que o permitido. As fezes humanas são o fator mais poluente, devido às construções irregulares próximas aos rios de captação.
Avaliação feita pela Sanepar em março revela que apenas um dos rios que abastecem a Estação do Iguaçu tem coliformes em quantidade aceita pelo Conama. É Rio Itaqui, que tem 1,2 mil coliformes fecais e 5,6 mil totais por 10 mililitros de água. O Rio Pequeno apresentou 6 mil coliformes fecais e 37 mil totais; o Rio Iraí, 13 mil fecais e 56 mil totais; o Rio Iguaçu 27 mil fecais e 54 mil totais e o Rio Palmital, o mais poluído, tem 140 mil coliformes fecais e 159 mil totais. A situação é alarmante e tende a se agravar, admite Arlineu Ribas, gerente de Hidrogeologia da Sanepar.
Alheias ao problema, as famílias pobres que moram nas margens dos rios vivem seus próprios dramas. A vendedora Maria Marta Pelosi, 48 anos, que mora na beira do Rio Palmital há um ano, proíbe os três filhos de nadar e pescar no rio. A gente está aqui não por gosto, mas tem que ser assim, para não pagar aluguel, conta. Ela, o marido e as crianças deixaram uma chacará em Joinville (SC) para tentar a sorte em Curitiba. Lamentam a troca. Ô saudade de lá, diz Maria.
Criado próximo às margens do Rio Palmital, o pedreiro Batista Pereira, 34 anos, e o servente José Rodrigues, 36, pescam há anos no rio e não querem mudar o hábito. Pereira não teme a contaminação do rio. Bem fritinho, o peixe vai que é uma beleza, diz. Segundo ele, a cachaça que acompanha a refeição e a pescaria faz com que ele não fique doente.


