A poluição é um dos preços do progresso. Em alguns casos, o valor cobrado é alto. Quem vive em um local poluído conhece bem os transtornos. Conviver com este tipo de problema, no entanto, é necessário. Até porque é impossível imaginar hoje um mundo sem carros, indústrias, propaganda e outras fontes poluidoras. Por outro lado, o excesso resulta em desconforto.
  A rotina do funcionário público aposentado Guilherme Ribeiro Soares, 61 anos, morador do Jardim Igapó (Zona Sul de Londrina), é um exemplo de como a poluição pode transformar-se em um transtorno diário. Para ele, o principal problema é o excesso de carros e motos de som que circulam pelo bairro, em especial nos fins de semana.
  Algumas vezes, comenta, não pode nem mesmo assistir televisão em paz por causa do barulho excessivo das ruas. Independentemente do calor, ele é obrigado a fechar o vidro da sacada para conseguir ouvir seus programas prediletos. A altura do som é a principal queixa. ‘‘Acho que não deveria ser proibido, mas deveria existir um controle maior de horário, principalmente nas manhãs de sábado e domingo’’, aponta.
  O problema é mais perceptível nos fins de semana, mas as sequelas provocadas pelo barulho não escolhem data ou horário. Nem localidade. Atualmente, a poluição sonora está disseminada pela cidade. Nem o Centro nem os bairros escapam dos excessos e abusos. Pior para quem vive ou visita Londrina.
  Alguns dos vilões são a manutenção inadequada dos veículos, os ruídos provocados pelas indústrias e as propagandas do comércio. E parte desse incômodo poderia ser evitada. Um exemplo é o uso de alto-falantes para tentar atrair a freguesia para as lojas. ‘‘Neste caso, as pessoas pensam nos próprios interesses e deixam a questão coletiva de lado. Só que o dano provocado pelo barulho excessivo não é imediato, mas absorvido ao longo do tempo e pode tornar-se irreversível’’, alerta o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Norte do Paraná (Unopar) Carlos Henrique Gorges Vici.
  Para ele, o que falta na cidade é uma fiscalização mais efetiva das fontes de poluição sonora. E uma maior conscientização dos responsáveis pela barulheira, uma vez que é possível investir em revestimento acústico para reduzir a propagação do som.
  Outra medida importante é não descuidar da manutenção do carro. Motor e escapamento regulados são praticamente garantia de nível menor de ruídos. E menos transtorno para quem dirige ou circula diariamente pelas ruas mais movimentadas da cidade. E um veículo bem cuidado não significa apenas menos barulho, mas também um ar de maior qualidade.
  Uma medição feita em um início de tarde no entorno do Terminal Urbano mostrou que as pessoas que passam ou trabalham por ali são submetidas a níveis de ruídos elevados constantemente. Ao lado da
entrada de ônibus da Rua Benjamin Constant, o aparelho indicou até
100 decibéis - muito acima dos limites considerados ideais.

mockup