Poluição mata peixes no Rio Amambai
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terça-feira, 07 de outubro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Milhares de peixes estão aparecendo mortos no Rio Amambai, na região de Naviraí, Mato Grosso do Sul. Ontem à tarde, funcionários de vários órgãos ambientais estiveram na região para apurar a mortandade dos peixes e já falam num dos piores desastres ecológicos da bacia do Rio Paraná. Os peixes mortos começaram a aparecer anteontem e estão sendo encontrados em todo o trecho do rio entre Naviraí e a foz, no Rio Paraná. O desastre pode ter sido causado por fábricas de Naviraí. Uma destilaria de álcool é a principal suspeita de ter despejado material poluente no Amambai.
Um dos principais afluentes do Paranazão, o Rio Amambai nasce na região de Ponta Porã e deságua no Arquipélago de Ilha Grande, na divisa com o Noroeste do Paraná, município de Icaraíma. Parte do Amambai está incluído no Parque Nacional de Ilha Grande, criado semana passada. O desastre ecológico acontece seis dias depois de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter assinado em Brasília o decreto de criação do parque.
O acidente mobilizou a superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) de Mato Grosso do Sul, a Secretaria do Meio Ambiente daquele Estado, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Polícia Florestal e quatro municípios paranaenses empenhados na preservação do Arquipélago de Ilha Grande. Todos enviaram ontem pessoal ao Rio Amambai e ao Paranazão para avaliar a extensão dos estragos.
Segundo a chefe de fiscalização do Ibama em Campo Grande, Márcia Velozo, foram dizimadas toneladas de peixes de todas as espécies e até aves estão morrendo. O Ibama enviou o agente Donizete dos Santos, de Dourados, para fazer um levantamento no rio, nas proximidades de Naviraí. Fiscais do IAP também estiveram avaliando a situação na foz do Amambai e no Rio Paraná. Os orgãos ambientais iriam colher amostras de peixes mortos e da água para apurar o que causou o desastre ecológico. A Folha ligou para o telefone celular do agente do Ibama, mas não conseguiu contato.
Nos últimos anos, não há registros de mortandade tão grande de peixes nos rios da região. No final da década passada, o Rio do Veado sofreu um despejo de resíduos industriais da fecularia da Companhia Lorenz, de Umuarama, que matou toneladas de peixes, inclusive afetando a fauna do Rio Xambrê. A empresa foi condenada pela Justiça e foi obrigada a repovoar o rio três anos depois.


