O desastre ecológico nos lagos Igapó III e IV, em Londrina, causado por vazamento de esgoto industrial da Companhia Cacique de Café Solúvel, no início da semana passada, foi o pior dos últimos 25 anos. A afirmação é do diretor regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Andrew Pinheiro Neto. Segundo o diretor, o desastre só não foi maior porque as chuvas que caíram no final de semana amenizaram o problema. Pinheiro Neto afirmou também que a mortandade de peixes diminuiu e a oxigenação começa a voltar aos lagos. A Cacique, que foi multada pelo IAP em R$ 600 mil, tem 20 dias, contando desde o dia do desastre, para pagar ou recorrer.
Ontem à tarde, no Lago Igapó IV, apareceu uma mancha de espuma, semelhante à de detergente. Técnicos do IAP recolheram amostras do líquido para análise, mas acreditam que a espuma seja de algum esgoto clandestino. Os fiscais do órgão ainda estão monitorando os lagos para acompanhar o andamento dos dejetos e a presença de matéria orgânica, que ainda se mantém em níveis altos. De acordo com Pinheiro Neto, até que a poluição retroceda, as pessoas devem evitar os banhos nos lagos. A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde informou que não existe na cidade nenhuma campanha de alerta à população. Em dias de calor forte muitos banhistas se refrescam no Igapó.
A Autarquia Municipal de Ambiente (AMA), que notificou as empresas Cacique e a concessionária Igapó Veículos, está aguardando o resultado da análise da água que recolheu do Córrego Cacique, no ponto onde o esgoto foi lançado. ‘‘Após o resultado poderemos efetuar penalidades e multas’’, afirmou o presidente da AMA, Rafael Fuentes. ‘‘Vamos avaliar os danos do ponto de vista do muncicípio e ver o que perdemos’’, explicou.
Ontem à tarde, Fuentes e a diretora-técnica da AMA, Sílvia Saadjian, reuniram-se com a promotora do Meio Ambiente Luciana Lepri Moreira, para tratar de questões ambientais. O presidente da AMA garantiu que não falaram da poluição do Igapó. ‘‘Na verdade estive com a promotora prestando contas do nosso trabalho. Falamos mais a respeito das centrais de moagem e de galhos’’, assegurou Fuentes.
A forte chuva de sábado carregou uma grande quantidade de terra da obra de pavimentação da Rua João Wiclif, desceu em direção à Rua Bento Munhoz da Rocha, próxima ao Hotel do Lago. Tratores da empresa KRB, responsável pelo asfaltamento, retiraram cerca de cinco caminhões de terra do local. O secretário de Obras, José Righi de Oliveira, garantiu que parte da lama não foi parar no lago. ‘‘Não há perigo de assoreamento porque a enxurrada que escorreu para o Lago II foi insignificante’’, afirmou Righi.

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