Poluição está fora de controle na RM
Curitiba
Os moradores de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, não conhecem a composição do ar que respiram e estão sujeitos à ação de poluentes emitidos pelas chaminés industriais do município - que conta com 218 indústrias. As três estações de medição da qualidade do ar do município, controladas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), não detectam todos os tipos de poluentes, além de fornecer os dados com dois dias de atraso.
Localizados na Praça do Seminário, Associação São Francisco de Assis e Escola São Sebastião, os equipamentos medem apenas a quantidade de material particulado em suspensão, índice de fumaça e nitrito sulfuroso (SO2).
De acordo com resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a medição deveria incluir partículas inaláveis, nitrogênio na atmosfera (NOx) - emissão de veículos ou processos industriais, ozônio e monóxido de carbono.
Segundo a chefe da Divisão de Tecnologia Ambiental do IAP, Ana Cecília Nowacki, há um projeto para instalação de estações mais modernas em Araucária e em Curitiba (onde só há uma, na Praça Rui Barbosa, Centro), mas ainda não há recursos disponíveis. O projeto total foi avaliado em US$ 6 milhões (cada estação automatizada custa R$ 300 mil, segundo o IAP).
Em setembro, moradores de bairros próximos à Ultrafértil tiveram dores de cabeça, irritação nas vias respiratórias, náuseas e vômitos. A empresa emitiu gases de amônia na atmosfera, que não foram detectados por nenhuma das três estações de medição.
São problemas que podem ser controlados, mas quando são detectados já causaram males à população, observa Tadeu Lucaski, diretor de Controle Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Araucária.
A Siderúrgica Guaíra também recebe queixas de poluição sonora e do ar. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, a empresa se comprometeu a instalar um sistema de despoeiramento até o ano 2000, para solucionar o problema. Até lá, os poluentes continuarão sendo emitidos.
O principal problema é que o município incentivou a industrialização sem grandes planejamentos. Agora, a solução é evitar que a situação se agrave e cobrar mais das empresas, disse Tadeu Lucaski. Segundo ele, Araucária não tem uma lei específica para controlar a emissão de poluentes e a poluição sonora. A legislação atual é muito genérica. Uma nova lei está sendo discutida e poderá ser aprovada no próximo ano, afirmou.





