Poluição em Curitiba merece atenção
Especial para a Folha
O Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da Universidade Federal do Paraná (UFPR) inicia, em agosto, mais uma edição do projeto ProAr, que, em conjunto com escolas de Curitiba, pretende monitorar, durante quatro semanas, a qualidade do ar da capital. Este é o quarto ano que o projeto será colocado em prática. Contrariando as afirmações dos órgãos oficiais de meio ambiente, nos três anos em que funcionou, em 95, 96 e 97, os resultados apontaram um grau elevado de poluição na cidade.
O Núcleo não dispõe de dados atuais, já que a última medição foi feita em agosto de 97, mas a professora Zióle Assunção Malhadas, pós-doutoranda em Educação Ambiental nos Estados Unidos, e uma das criadoras do método ProAr, diz que em todos os anos ficou evidente o alto grau de poluição em Curitiba. Os órgãos oficiais resistem a admitir que existe poluição em Curitiba. Com isso, eles fazem um desserviço à cidade, sem conscientizar as pessoas da necessidade de colaborarem para melhorar o ar que respiramos, diz.
Este ano, o projeto pretende envolver 35 escolas da capital, onde serão instalados kits que irão medir o nível de ozônio do ar, o material particulado (poeira), além da qualidade da água da chuva, para determinar a acidez da água, que, por sua vez, é determinada conforme o grau de poluição. As medições vão ocorrer nos meses de agosto e setembro, com coleta diária nas escolas, durante quatro semanas consecutivas. Eu costumo dizer que o ozônio é um herói lá em cima, mas aqui embaixo ele é um vilão, diz Zióle. Ele é um indicador da presença de outros poluentes porque resulta da reação de vários gases poluentes, como os hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, diante da luz solar.
Em suas três edições, o projeto mostrou que alguns locais de Curitiba têm nível pior de ar. É o caso das vias das canaletas de expresso, onde tudo contribui para isto. Cercadas por prédios altos, a pouca circulação de vento e a grande concentração de veículos emitindo poluentes, quem está parado na região esperando ônibus, acaba sendo contaminado.
Os bairros do Portão, Capão Raso e Campo Comprido, situados entre o centro e a Cidade Industrial também são atingidos drasticamente. Do centro à CIC forma uma espécie de sanduíche, pois o vento carrega a poluição dos dois lados e a luz solar se encarrega de transformar esta poluição em ozônio. Segundo Zióle, a Cidade Industrial é quase uma caldeira do diabo. As indústrias queimam vários tipos de combustível, que se misturam no ar, e que, com a ação da luz, se transformam em ozônio.
Nos meses de junho e julho, segundo ela, a situação piora, pois chove menos para lavar o ar, o vento circula menos e a poluição fica no ar.
A professora Zióle não se abala frente às críticas de outros órgãos a seus métodos. Nosso projeto é conhecido mundialmente, diz, lembrando que o ProAr já é inclusive usado em São Paulo, onde a Secretaria de Estado do Meio Ambiente implantou o projeto.DivulgaçãoIntensidadeEm Curitiba, problema é maior nos meses de junho e julho, quando chove menos para lavar o ar, o vento circula menos e a poluição fica no arMaigue Gueths





