Curitiba

Leandro TaquesCrianças das escolas municipais de Curitiba começaram ontem a fazer a medição dos níveis de poluição da bacia do Rio BelémCrianças das escolas municipais de Curitiba começaram ontem a fazer a medição dos níveis de poluição da bacia do Rio Belém, dentro do programa Olho D’Água, da prefeitura, que pretende avaliar o grau de contaminação dos rios da cidade. O projeto definiu 260 pontos ao longo das microbacias que deságuam no Rio Iguaçu, que serão controlados por estudantes, com auxílio dos núcleos regionais de Saúde, associações de moradores e grupos de escoteiros.
O programa é financiado pelo Banco Mundial, através do Prosam (Programa de Saneamento Ambiental), e nesta primeira etapa recebeu um investimento de R$ 210 mil. As crianças vão coletar a água num balde, executar reações químicas e anotar os resultados das medições. ‘‘Desta forma estaremos envolvendo a comunidade num trabalho permanente de monitoramento. O problema mais grave já detectado é o lançamento de esgoto direto na rede de águas pluviais’’, alertou o prefeito Cássio Taniguchi.
Técnicos e urbanistas tentam encontrar soluções práticas e economicamente viáveis para impedir que o direcionamento da ocupação demográfica afete os mananciais localizados nos municípios vizinhos a Curitiba, especialmente Colombo, Quatro Barras, Pinhais e Piraquara.
De acordo com Taniguchi, na região Sul da cidade o nível de poluição é preocupante. Para as autoridades ambientais e técnicos que atuam nesta área, a maior preocupação é a qualidade da água dos rios usados como fontes de abastecimento urbano.
A bacia do Rio Belém, que atravessa Curitiba, recebe boa parte do esgoto da população. Em muitos locais o esgoto flui diretamente para valetas a céu aberto, constituindo uma séria ameaça à saúde dos moradores.
A primeira medição da qualidade da água foi realizada ontem, durante o lançamento do programa, no Parque São Lourenço. Os parâmetros de qualidade incluem temperatura, oxigênio dissolvido, coliformes fecais, PH, demanda biológica de oxigênio, nitrogênio total, fósforo total, turbidez e sólidos totais.
Os alunos da Escola Municipal Tereza Matsumoto obtiveram bons resultados na primeira medição. O PH da água do Rio Belém, que corta o parque, estava neutro e o índice de oxigênio alcançou um nível considerado bom: 10 miligramas por litro.
A constatação do aposentado Carlos Pertel, morador da Vila Santa Efigênia, nas proximidades do Parque São Lourenço, é de que ‘‘a maioria dos moradores da região não construiu fossa séptica e o esgoto cai direto no rio’’, denuncia. Ele diz que apenas um trabalho mais agressivo resolveria o problema. ‘‘Multas pesadas poderiam ajudar’’, acredita. Pertel conta que há cinco anos as águas do parque eram cheias de carpas, lambaris e carás.

mockup