Poluição do Rio Uvu prejudica moradores
Dimitri do Valle
De Curitiba
A poluição do Rio Uvu está testando os limites de paciência dos moradores da Rua Nicolau José Gravina, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. O mau cheiro causado pelo esgoto clandestino de casas e empresas é um dos principais problemas enfrentados pela comunidade. O rio também sofre com outros tipos de agressão. A paisagem está comprometida pelo assoreamento causado pela erosão das encostas e o lixo formado por móveis, latões e restos de materiais de construção atirados diretamente na água.
Quando as temperaturas se elevam, um forte odor de podridão que sai do Uvu toma conta do ar. A gente não aguenta o mau cheiro, isso aqui fica insuportável, diz a dona de casa Lucimari Parise, 43 anos. Revoltados com a situação de abandono em que o rio se encontra, os moradores resolveram protestar. Ao lado de uma ponte da Rua Nicolau José Gravina, eles colocaram há uma semana uma placa com a seguinte mensagem: Pare, Olhe, Cheire - Curitiba ecológica.
O moveleiro Adirceo Parise, 45 anos, que possui casa e empresa localizados ao lado do rio enfrenta uma situação ainda mais delicada: o desmoronamento do seu terreno. Devido as inúmeras enxurradas, Parise perdeu as contas de quantos muros de contenção perdeu por causa do assoreamento que prejudica a vazão das águas. Em dias de chuva forte, o moveleiro conta que é obrigado a retirar a lama do rio para não ter a residência alagada. Um tubo de esgoto da Sanepar que passa na parte dos fundos da área serve como obstáculo para represar os entulhos. Detalhe: a tubulação passa em cima do nível do rio.
Do jeito que está, eu tenho que ficar pagando imposto e fazer a limpeza do rio, desabafa o moveleiro. Ele reivindica da Sanepar a construção de um novo muro de contenção, já que o sistema de tubulação de esgoto de Santa Felicidade corre por dentro do seu terreno. O morador disse que já recorreu a todos os órgãos envolvidos na questão, desde a prefeitura até a Sanepar. De resultado prático, ele garante não ter conseguido coisa alguma e decidiu reconstruir o muro com recursos próprios. O moveleiro recorda com saudades quando tomava banho e pescava no rio. Hoje isso é totalmente impossível, diz.
Por intermédio da Secretaria Municipal de Urbanismo, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba informou que a limpeza do Rio Uvu deverá ser feita até o final deste ano através do Programa de Despoluição Hídrica, um projeto executado em parceria com a Sanepar. O programa consiste em visitas nas residências para saber se elas possuem esgotos clandestinos. Atualmente, as visitas estão sendo feitos na região Rio Belém. O maior problema do Uvu, segundo a prefeitura, são os esgotos clandestinos que poluem o rio.Comunidade, revoltada, resolveu protestar colocando ao lado do rio uma placa que faz críticas à capital ecológica
Kraw PenasDesesperoO moveleiro Valdemiro Grande diz que por causa da poluição do Rio Uvu, teve que interromper criação de carneiros que mantinha num terreno às margens do rio para evitar que eles morressem contaminados pela água. Ao lado de uma ponte da Rua Nicolau Gravina, moradores colocaram uma placa que alerta para o mau cheiro do lugar





