Mário CésarSujeira à vistaTubulações levam detritos industriais para o rio. ‘Pessoal reclama direto’, diz Luiz Tavares, dono de uma chácara no localO mau cheiro do rio Lindóia, em Ibiporã (Norte do Estado), tem revoltado moradores da cidade. A poluição vem sobretudo do esgoto doméstico e industrial de Londrina, onde o rio nasce, antes de desembocar no rio Jacutinga, que abastece Ibiporã. Por isso, quase toda a margem do Lindóia mantém uma coloração preta. Existe formação de espuma no centro da corredeira e a vegetação natural já foi prejudicada.
‘‘Este é um rio muito bonito. Não fosse a poluição, os moradores da cidade poderiam aproveitá-lo melhor, inclusive para descer a corredeira com bóias. Mas do jeito que está é impossível’’, lamenta o empresário Osvaldo Marconato Bosi. Ele costuma passear pela margem do rio, nos finais de semana, mas já está cansado do mau cheiro. ‘‘Isso está assim desde que eu conheço o rio, há uns quatro anos. E tem dia que você nem aguenta ficar perto.’’
Osvaldo Marconato conta que, além da poluição, muitos pescadores que frequentam o local costumam cortar a mata ciliar para facilitar a pescaria. ‘‘Tenho plantado palmito, cabeça de negro, pinho, entre outros, para reconstituir um pouco da mata e alimentar os peixes. Mas ninguém respeita’’, diz. Ele acredita que há grande perigo em consumir os peixes do Lindóia.
Mário CésarNatureza mortaO empresário Osvaldo Marconato se diz revoltado com a poluição: ‘Do jeito que está, tem dia que você não aguenta ficar perto’
Além da poluição que vem de Londrina, o próprio município de Ibiporã acaba deixando o rio mais sujo. Duas tubulações de água pluvial que chegam até o Lindóia, saindo do bairro San Rafael (zona oeste), têm jogado esgoto e detritos industriais diretamente no rio.
‘‘Antes eu ligava quatro ou cinco vezes por dia para a Prefeitura, para ver se davam um jeito na situação. Foi aí que construíram essa manilha, levando a sujeira mais perto da água. Para nós aqui melhorou um pouco, mas o pessoal lá de cima reclama direto’’, diz Luiz Alfredo Tavares, proprietário de uma chácara ao lado do Lindóia.
Segundo ele, a origem da poluição é uma fábrica de ração para cachorro, que fica na rodovia BR-369, e que não trata adequadamente a água antes de lançá-la para o rio. ‘‘Já teve abaixo-assinado para fechar a fábrica. Mas quando o pessoal reclama eles vêm, jogam uma química na água e a situação melhora. Depois volta tudo de novo’’, reclama. ‘‘A solução era mudar a fábrica de local.’’

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