Poluição do ar leva moradores do Eucaliptos até a promotoria
Érika Pelegrino
De Londrina
Uma comissão formada por moradores do Conjunto Eucaliptos (zona norte de Londrina) e de chácaras vizinhas irá hoje à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente expor os problemas ambientais que estão enfrentando no bairro. Eles se referem ao mau cheiro provocado pela Estação de Tratamento da Sanepar e pela Milênia Agro Ciência, fabricante de agrotóxicos, ambas localizadas no bairro. A comissão irá também até à Câmara pedir a ajuda dos vereadores.
No sábado à noite foi realizado um protesto no bairro. Segundo Nelson Gonçalves, que integra a comissão de moradores, a manifestações reuniu mais de 400 pessoas. Foram convidados representantes da Milênia, da Sanepar, do Ministério Público, da Câmara de Vereadores e do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), afirma. Mas compareceram apenas técnicos do IAP e o vereador Salvador Francisco (PSB), diz.
O chefe regional do IAP, há quatro meses, Antônio Carlos Cobo Pires, afirmou que o órgão está atento aos problemas e irá realizar vistorias na Milênia e Sanepar ainda esta semana. Iremos ver se realmente há problemas para tomarmos as providências necessárias, que podem ser inclusive autuações, disse.
A poluição ambiental afeta crianças e adultos, que sofrem com problemas respiratórios, náuseas e dores de cabeça, segundo relatam os moradores. Manoel Vieira, morador do bairro há 10 anos, conta que na hora do jantar o mau cheiro causado pela estação da Sanepar é muito forte. Agora imagine a pessoa comendo e este cheiro de esgoto no ar? pergunta.
Claudina Zelinda Scopel, 60 anos, moradora de uma chácara há 100 metros da Milênia, diz que é mais prejudicada pelo possível veneno existente no ar em função das atividades da empresa Milênia. Nós estamos respirando veneno e não sabemos o que poderá acontecer com nossa saúde, a longo prazo, afirma.
Manoel de Oliveira complementa: Se daqui alguns anos as pessoas começarem a ficar doentes como irão se tratar? A saúde pública em Londrina é praticamente inexistente.
Os moradores do bairro alertam para a tentativa da Milênia de modificar o artigo 112 da Lei Municipal 4607/90, que proíbe a utilização de agrotóxicos em perímetro urbano. Projeto de lei nesse sentido chegou a tramitar na Câmara mas foi retirado de pauta por tempo indeterminado.
Claudina Scopel afirma que fará de tudo para impedir que a lei seja modificada. Vou fazer greve de fome em frente da Câmara. Prefiro morrer de fome lá do que morrer envenenada aqui, avisa a moradora.
Ela conta que tem problemas de baixa resistência imunológica e que sua médica teria dito que o problema ou foi causado ou foi agravado pela respiração de ar contaminado com veneno. Claudina diz que olfato e palatar ela não possui mais. Às vezes as pessoas vêm aqui em casa e dizem que o cheiro de veneno é muito forte. Eu mesma não sinto mais nada, diz.
A Folha tentou falar com o gerente-operacional da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima e com o gerente de produção da companhia, Nelson Okano, para questionar sobre o mau cheiro que estaria sendo provocado pela Estação de Tratamento. Mas os dois não foram localizados no final da tarde e início da noite de ontem. A reportagem deixou recados com as secretárias de ambos e com a assessoria de imprensa sobre o assunto a ser tratado.





