Paulo Pegoraro
Águas possíveis de aproveitamento para o consumo devem ter, no máximo, 1000 coliformes fecais por 100 ml de líquido. O Rio das Antas, que nasce na região central de Cascavel, apresenta pelo menos 40.000 x 100 ml, segundo análise feita pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A análise bacteriológica só mede até aquele limite, por isso é possível que a contaminação seja superior. A situação causa alarme entre ambientalistas e técnicos da Sanepar, pois o rio precisará ser utilizado futuramente para o abastecimento à cidade. Além disto, a poluição dissemina doenças entre moradores que ocupam irregularmente as margens.
A completa degradação do curso d’água e suas margens motiva o projeto ‘‘Recuperação e Conservação do Rio das Antas’’, através de cooperação técnica e financeira entre Sanepar, prefeitura e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). O convênio foi firmado pelo gerente da companhia Afonso Marangoni, o prefeito Salazar Barreiros (PPB) e o reitor Erneldo Schallemberger. A assinatura ocorreu na Casa do Lago, uma clínica psicológica localizada às margens do rio, numa espécie de homenagem ao diretor, o médico Augusto Fonseca da Costa, reconhecido ‘‘defensor’’ da recuperação e preservação do curso d’água.
Pelo convênio, estagiários da Unioeste farão a coleta periódica de amostras de água do Rio das Antas para análise no laboratório da Sanepar, enquanto a prefeitura desenvolverá um programa de recuperação das margens, com matas ciliares, e uma campanha educativa, junto às famílias ribeirinhas. Ao mesmo tempo, serão estudadas alternativas para o tratamento ao esgoto despejado pelos moradores. As casas estão em plano bastante inferior ao nível das ruas, por isso não é possível ligá-las à rede coletora. A alternativa que será estudada é uma canalização própria até uma estação elevatória, com bombas de recalque.
Suzane Góes, 18 anos, mãe de um filho e grávida, moradora na Vila Cancelli (zona) norte, um dos bairros atravessados pelo rio, não se preocupou sequer em fazer uma fossa séptica em seu terreno. O esgoto da casa é lançado diretamente na água, através de um cano plástico. ‘‘Eu sei que pode ser errado, mas vou fazer o quê?’, diz a mulher, mesmo sabendo que crianças costumeiramente brincam nas águas contaminadas. Segundo Odilon Meira, técnico químico da Sanepar, amostras coletadas para análise bacteriológica e fisioquímica ‘‘mostraram resultados assustadores’’.
Meira compara os 40.000 coliformes fecais por 10 ml de água já observados no Rio das Antas com análises feitas de amostras do Rio Cascavel, ‘‘em um de seus períodos de maior poluição’’, quando foram encontrados 16.000 x 100 ml. Além disto, há poluição por lixo e despejos (inclusive de corantes) feitos por indústrias instaladas nas margens. Ao longo dos anos, pessoas da comunidade que se preocupam com o meio ambiente vinham chamando atenção para o estado do curso d’água. O médico Augusto Fonseca da Costa chegou a formalizar várias denúncias ao Ministério Público contra indústrias poluidoras e empresas que jogavam entulhos nas margens e diretamente no rio.
Assaí Chega a fase final o concurso sobre meio ambiente em Assaí (36 km a leste de Londrina). Numa parceria entre a prefeitura e o Banestado, serão julgadas as peças teatrais elaboradas por seis equipes de alunos do ensino médio do Colégio Estadual Conselheiro Carrão. O julgamento será amanhã, às 9 horas, na sede do grupo Idade Dourada. A equipe vencedora ganhará uma viagem a Curitiba, oferecida pela Versailles Agência de Turismo. Os alunos da 1ª a 8ª séries vencedores das categorias desenho, redação, cartazes e maquete receberão medalhas, troféus e kits escolares.

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