Despejos clandestinos de esgoto estão poluindo o Rio Monjolo, que forma uma bela cachoeira na área urbana de Foz do Iguaçu. No poço formado pela queda d’água, resíduos industriais, resquícios de detergentes, fezes e principalmente lixo residencial (latas, garrafas, papéis e plásticos) confirmam a degradação ambiental. Em alguns pontos é possível encontrar espessas camadas de espuma que exalam mau cheiro. Dos oito quilômetros de extensão do rio, 85% correm subterraneamente pela área central da cidade.
Apesar de existir uma estação da Sanepar que desvia parte do rio para um centro de tratamento de esgoto, construído 500 metros acima da foz, o Monjolo sofre com os vários pontos de lançamentos irregulares de dejetos.
O presidente da Associação de Defesa Ambiental de Foz do Iguaçu (Adeafi), Jackson Lima, destaca que o problema é resultante da ‘‘burrice de planejamento’’. ‘‘A sociedade condenou o rio à morte’’, lamenta.
Lima alerta que outros mananciais da cidade terão o mesmo destino caso a agressão ao meio ambiente persista. Entre os rios em situação de risco ele cita o Almada, Ouro Verde e o Boicy. Esse último é tema de estudos da prefeitura, que prevê a revitalização a um custo estimado em R$ 16 milhões.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Instituto Ambiental do Paraná e o Ministério Público investigam denúncias de construções irregulares, como prédios e aterros, ao longo dos rios. ‘‘Além de muito dinheiro, esses projetos precisam ser conduzidos com seriedade, senão jogaremos os investimentos no esgoto’’, comenta o presidente da Adeafi, lembrando que será necessário avaliar as condições sociais da população carente que ocupa ilegalmente a maior parte das margens dos rios.
Médicos e especialistas ressaltam que águas contaminadas por dejetos e esgoto podem provocar infecções intestinais, cujos sintomas são vômitos, febre e diarréia, além de doenças provenientes de bactérias e viroses. ‘‘As autoridades responsáveis monitoram o Monjolo apenas pensando em proteger o Rio Paraná, onde ele desemboca. O homem tem que aprender a ligar o presente com o futuro e evitar nascentes aterradas e leitos assoriados’’, critica o presidente da Adefi.
Alheio às possíveis doenças que possa contrair com o consumo de peixes contaminados, o aposentado Pedro Garcia costuma pescar perto da cachoeira do Rio Monjolo. ‘‘Moro em Foz há 30 anos e sempre estou por aqui, mas não tenho coragem de nadar’’, diz Souza.

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