Curitiba - A qualidade atmosférica de Curitiba está mais comprometida do que o ar de Araucária, município da região metropolitana voltado à atividade industrial predominante. Isso porque a maior causa de poluição são emissões de veículos, que não são controladas, ao contrário das grandes indústrias, cujos resíduos poluentes são regidos por uma legislação ambiental. Essa é uma das conclusões do relatório sobre a qualidade do ar na Região Metropolitana de Curitiba em 2001, divulgada ontem pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
É o segundo ano que o órgão apresenta relatório sobre as condições atmosféricas da Grande Curitiba. Feito com base em dados fornecidos em oito estações de monitoramento instaladas na Capital e em Araucária, o relatório mostrou que a qualidade do ar na região apresentou melhora em relação a 2000. Dos seis parâmetros analisados, três melhoraram. A coordenadora de Estudos e Padrões Ambientais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ana Cecília Nowacki, alerta, no entanto, que esses resultados não podem ser entendidos como uma tendência, uma vez que o órgão só está fazendo o monitoramento há dois anos e seriam necessários mais tempo de acompanhamento para uma conclusão mais definitiva.
‘‘Esses bons resultados acontecem, principalmente, porque Curitiba apresenta condições favoráveis à dispersão da poluição’’, diz Ana Cecília, lembrando que além do clima, com ventos e chuvas constantes, a posição geográfica da cidade, situada em local alto, contribui. O secretário do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, lembra ainda de ações já realizadas na cidade como o incentivo ao uso de transporte coletivo, uso de combustíveis alternativos (40% da frota de táxi já usa gás) e a preservação de áreas verdes. O governo também pretende implantar até o final do ano a inspeção veicular prevista no Código de Trânsito, que só vai liberar carros em acordo com as normas ambientais.
Os três parâmetros que reduziram foram material particulado em suspensão (poeiras), que passou de 86 para 75 microgramas por metro cúbico. Mesmo assim, esse número está próximo aos 80 microgramas tolerados pela Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). As estações automáticas que medem o ozônio – gerado pelo contato de elementos poluentes com a luz do sol – constataram 129 violações este ano contra 524 em 2000. E o dióxido de nitrogênio – gerado em processos industriais, combustão e veículos – não teve nenhuma violação em 2001. Os outros parâmetros medidos são o índice de fumaça, que ficou estável e dióxido de enxofre – ligado à produção industrial e veículos – que aumentou sua média anual de 28 para 27 microgramas por metro cúbico.
O nível de monóxido de carbono só passou a ser monitorado a partir do ano passado, com a abertura da estação do Boqueirão. Nas primeiras medições o índice mais alto ficou em 3 mil microgramas por metro cúbico, bem abaixo dos 40 mil admitidos pelo Conama. O IAP também espera monitorar, em breve, as partículas pequenas em suspensão. Consideradas mais nocivas, porque são aspiradas e entram no pulmão, sua medição é feita através de um aparelho que depende de autorização do Conselho Nacional de Energia Nuclear para uso.

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