Correr ou caminhar são os exercícios preferidos de grande parte das pessoas que querem fugir do sedentarismo. O hábito tem benefícios inegáveis para a saúde. Mas quem corre ou realiza caminhadas perto de vias movimentadas pode sentir um certo desconforto provocado pela poluição.
O empresário André Jacob, de 50 anos, caminha pelo lago Igapó 2 e conta que sente a garganta ficar irritada quando caminha em determinados horários. ''A gente percebe que é a poluição, pois a gente sente irritação e uma certa ardência nos olhos'', comenta.
O casal Fernanda Sorje, 27, e Renato Sales, 30, também tem o hábito de praticar exercícios em áreas de lazer da cidade. Para eles, no entanto, os efeitos da poluição são mais sentidos apenas quando viajam para São Paulo. ''A gente sente dificuldades para respirar e o nariz fica com mais secreção, além da pele ficar com mais oleosidade'', comenta Sales. Fernanda diz que quanto maior a poluição, a dificuldade para se respirar se torna maior. ''Isso com certeza faz com que a gente se preocupe'', declara Fernanda.
Para a arquiteta e ceramista Jane Bemutti, 51, a opção pela corrida na parte interna do Lago Igapó 2 é realizada justamente para evitar a poluição. ''Por dentro a gente sente a diferença para respirar, enquanto na parte externa a gente sente os efeitos da poluição '', observa a arquiteta. Sobre a possibilidade da poluição aumentar a incidência de alergias, ela acredita que um percentual alto da população sofra do problema. ''As pessoas podem até não saber, mas a alergia atinge a quase todos'', comenta.
Para o pneumologista Denison Noronha Freire, as pessoas que moram perto de rodovias onde circulam caminhões a diesel provavelmente terão mais problemas respiratórios do que os que moram distantes delas. ''É bom ressaltar que a asma é um problema hereditário, mas que pode ser agravada pela poluição, assim como pode acontecer com a bronquite'', comenta.
Sobre os poluentes que podem prejudicar a saúde, como o ozônio, monóxido de carbono e dióxido de enxofre, ele diz que o que mais preocupa é o monóxido de carbono, que pode levar a morte se inalado em altas concentrações e em ambientes fechados. Freire diz que a pessoas que realizam os exercícios perto do Lago Igapó 2, avenida Leste-Oeste ou mesmo na rodovia Celso Garcia Cid, pontos de tráfego intenso na cidade podem ficar despreocupadas. Segundo ele, os locais são bem abertos e não oferecem riscos significativos. Ele explica que o tempo seco oferece mais riscos do que a poluição em si. ''O tempo seco prejudica o sistema de defesa do sistema respiratório, pois a pessoa inala mais poeira e sobrecarrega os sistemas de defesa, provocando mais tosse'', conta.
O médico afirma que é mais fácil a pessoa morrer por um acidente de trânsito nesses locais do que por problemas decorrentes da poluição.
Mas a poluição é um fator que preocupa e que pode estar ligado ao aumento de alergias e de asma. Um estudo realizado no Peru e publicado no Journal of Allergy & Clinical Immunology constatou que o risco de doenças alérgicas e asma eram piores para quem vivia junto a uma rodovia movimentada. As taxas de incidência de doenças alérgicas aumentavam 7% para cada quadra (300 metros) que se aproximavam da estrada. Já as chances de desenvolver asma dobravam em relação às pessoas que moravam quatro quadras distante da rodovia.
Foram analisados 725 adolescentes entre 13 e 15 anos que vivem nos Pampas de San Juan de Miraflores, no Peru. Até hoje a maioria dos estudos era realizada em áreas urbanas onde as fontes de poluição são difíceis de ser identificadas, mas no local da pesquisa no Peru só existe uma rodovia de tráfego intenso e não existem outras fontes de poluição industrial.
Segundo Freire, a pesquisa realizada no Peru pode ter resultados completamente diferentes do que se fosse realizada por aqui. ''O Peru tem uma topografia diferente da nossa'', argumenta.

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