de Curitiba

Gilmar PiollaAbusoAlém de esgoto e lixo doméstico, os rios recebem também esgoto de hospitais e indústrias, sem qualquer tipo de controleAs águas dos rios e dos mananciais que abastecem Curitiba e Região Metropolitana são consideradas em condições razoáveis de poluição mas com tendência a piorar. A informação é do coordenador de projetos da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Enéas Souza Machado. Segundo ele, as áreas de invasão e de loteamentos em mananciais impossibilitam uma solução definitiva para a poluição.
De cada dez amostras feitas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela Suderhsa, entre 1994 e 1995, oito apresentaram índices muito altos de carga orgânica e coliformes fecais. A causa desta poluição, segundo Machado, é o esgoto e o lixo jogado diretamente nos rios.
Para a ambientalista, Teresa Urban, membro do Fórum das Entidades Ambientalistas da RM, todos os rios da Grande Curitiba estão mortos. ‘‘Não existe nenhum levantamento sério para conhecer a situação desses rios. Ninguém sabe dizer que indústria lança o quê. Não são apenas o esgoto e o lixo doméstico os responsáveis pela poluição. Os hospitais também jogam líquidos na rede de esgoto. Desta forma qualquer programa de recuperação não vai funcionar’’, adverte.
Nos municípios da Região Metropolitana apenas 16% da população contam com rede e tratamento de esgoto. Em Curitiba 51% das residências têm rede de esgoto. Dos recursos destinados ao Programa de Saneamento (Prosan) - R$ 340 milhões -, parte será aplicada nas obras de rede e tratamento de esgoto. Até o ano 2002, 36% do esgoto residencial e industrial da Região Metropolitana devem ser tratados.
Na região leste da Região Metropolitana se concentra a maior parte dos mananciais, numa área de cerca de 500 quilômetros quadrados. De acordo com o gerente de produção e manejo de recursos hídricos da Sanepar, Agenor Zarpelon, três estações de tratamento abastecem a cidade: Iguaçu, Tarumã e Passaúna.
‘‘A melhor água é a que chega pelo Rio Passaúna. Em segundo lugar, em condições razoáveis, vem a do Rio Tarumã. A pior água é a do Rio Iguaçu. Os altos adensamentos de população e a falta de proteção com mata ciliar transformam o Iguaçu num rio altamente poluído’’, diz Zarpelon. Na Região Metropolitana, o Rio Palmital, da Bacia do Iraí, é considerado o mais poluído. Ele nasce em Colombo e passa por Quatro Barras, Pinhais e São José dos Pinhais, recebendo esgoto residencial e industrial.
O plano diretor da Sanepar, concebido para entrar em operação no próximo ano, engloba a construção da barragem do Iraí para regularizar e preservar a vazão do Iraí e do Iguaçu. ‘‘Com esta obra o rio Palmital também será despoluido e em dois anos, abandonado como manancial’’, informa Zarpelon.
Duas estações de tratamento de esgoto estão previstas para o final deste ano: a Atuba Sul, com capacidade de 1.450 litros por segundo, e a do Guaraituba, com capacidade de 90 litros por segundo. Até o final do ano 2000, 80% da RM devem ter rede de esgoto.
Para facilitar a pesquisa na área de recursos hídricos, a Suderhsa está publicando um atlas com 27 mapas sobre disponibilidade de recursos hídricos, localização de aquíferos, chuvas anuais e sazonais, quantidade de água e seus principais usos e as vazões dos principais rios do Paraná. Alguns dados fazem parte de pesquisas realizadas há mais de 100 anos e nunca foram divulgados. O atlas será distribuído para as principais bibliotecas do Paraná.

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