O Lago Igapó, em Londrina, além de ter se transformado em um depósito de esgotos domésticos e industriais, tenta sobreviver ao lixo jogado pela população. Mas o lixo, na avaliação da professora doutora do departamento de biologia animal e vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ângela Teresa Silva e Souza, não é o único problema do Igapó.
De acordo com a professora, a poluição biológica causada por novas espécies de peixes colocadas indiscriminadamente no lago por ‘‘pessoas desavisadas’’, é tão prejudicial quanto a poluição química. ‘‘Junto com as novas espécies de peixes vêm também parasitas, vírus e bactérias’’, explicou Ângela.
A pesquisadora esclareceu também que a repovoação por espécies estranhas ao meio pode gerar desequilíbrio. As consequências, segundo a professora, são imprevisíveis. ‘‘É como se a pessoa fosse retirada de sua casa e jogada repentinamente em outra já habitada’’, comparou Angela, que verificou a presença de parasitismo no Igapó.
A professora constatou a existência de parasitas nos olhos de três peixes do Igapó 2, o acará, que é nativo, e em duas espécies de tilápia. Esse tipo de parasita já tinha sido detectado pela pesquisadora em corvinas, no Rio Tibagi.
‘‘O Igapó apresenta potencial para desenvolvimento do parasita, que tem um ciclo complexo. A larva se instala nos olhos do peixe, que é devorado pelo biguá (ave comum no lago). Os ovos desenvolvem-se nas fezes da ave e caem na água, entrando nos caramujos. Já adultas, as larvas nadam e infectam novamente os peixes’’, explicou Ângela.
Nos peixes, o parasita não causa dano significativo. ‘‘No período de infecção alguns morrem ou ficam mais magros’’, afirmou.
A ocorrência de parasitismo não é, necessariamente, indicador da qualidade da água do Igapó, disse Ângela. ‘‘Às vezes, a ausência de parasitas também indica poluição’’. Até onde se conhece, informou a professora, o parasita não se desenvolve no homem.
Entretanto, a professora aconselha para que se coma o peixe cozido. Ângela faz ainda outro alerta. ‘‘Até mesmo o parasitismo fica descontrolado quando as pessoas jogam outros peixes no Igapó. Não se deve esquecer que o lago faz parte da bacia do Rio Tibagi.’’
O acará, segundo Ângela, é mais afetado pelo parasita do que as tilápias, que foram introduzidas no lago. ‘‘Se o acará desaparacer por causa de um predador introduzido pela população, as tilápias, que até agora são menos vulneráveis, serão atingidas’’, analisou a professora.

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