Poluição biológica atinge peixes
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de março de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
O Lago Igapó, em Londrina, além de ter se transformado em um depósito de esgotos domésticos e industriais, tenta sobreviver ao lixo jogado pela população. Mas o lixo, na avaliação da professora doutora do departamento de biologia animal e vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ângela Teresa Silva e Souza, não é o único problema do Igapó.
De acordo com a professora, a poluição biológica causada por novas espécies de peixes colocadas indiscriminadamente no lago por pessoas desavisadas, é tão prejudicial quanto a poluição química. Junto com as novas espécies de peixes vêm também parasitas, vírus e bactérias, explicou Ângela.
A pesquisadora esclareceu também que a repovoação por espécies estranhas ao meio pode gerar desequilíbrio. As consequências, segundo a professora, são imprevisíveis. É como se a pessoa fosse retirada de sua casa e jogada repentinamente em outra já habitada, comparou Angela, que verificou a presença de parasitismo no Igapó.
A professora constatou a existência de parasitas nos olhos de três peixes do Igapó 2, o acará, que é nativo, e em duas espécies de tilápia. Esse tipo de parasita já tinha sido detectado pela pesquisadora em corvinas, no Rio Tibagi.
O Igapó apresenta potencial para desenvolvimento do parasita, que tem um ciclo complexo. A larva se instala nos olhos do peixe, que é devorado pelo biguá (ave comum no lago). Os ovos desenvolvem-se nas fezes da ave e caem na água, entrando nos caramujos. Já adultas, as larvas nadam e infectam novamente os peixes, explicou Ângela.
Nos peixes, o parasita não causa dano significativo. No período de infecção alguns morrem ou ficam mais magros, afirmou.
A ocorrência de parasitismo não é, necessariamente, indicador da qualidade da água do Igapó, disse Ângela. Às vezes, a ausência de parasitas também indica poluição. Até onde se conhece, informou a professora, o parasita não se desenvolve no homem.
Entretanto, a professora aconselha para que se coma o peixe cozido. Ângela faz ainda outro alerta. Até mesmo o parasitismo fica descontrolado quando as pessoas jogam outros peixes no Igapó. Não se deve esquecer que o lago faz parte da bacia do Rio Tibagi.
O acará, segundo Ângela, é mais afetado pelo parasita do que as tilápias, que foram introduzidas no lago. Se o acará desaparacer por causa de um predador introduzido pela população, as tilápias, que até agora são menos vulneráveis, serão atingidas, analisou a professora.


