Poluição atinge níveis perigosos em Londrina
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Pesquisas feitas por instituições de ensino locais detectaram que a poluição em Londrina já atinge níveis perigosos para uma região que não é eminentemente industrial. Elas indicaram que em pontos específicos da cidade, como o Terminal Urbano, existe grande concentração de partículas cancerígenas. Outro problema é a chuva ácida.
Na tentativa de reverter esse quadro, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) assina hoje de manhã convênio com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) para execução de obras de infra-estrutura e implantação de um laboratório de amostragem e análise dos componentes do ar ambiente.
Segundo o secretário Estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, a existência da poluição era sabida, mas o que não se sabia é que chegava ao extremo de haver substâncias cancerígenas em níveis perigosos em alguns pontos de Londrina.
Ele citou como exemplo a região do Terminal Urbano (área central), onde pesquisas da UEL e da Universidade Norte do Paraná (Unopar) teriam indicado grande concentração de substâncias derivadas da queima do petróleo como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, benzopirenos, fenantrenos, antracena, naftaleno e aldeídos (acetaldeido e formaldeído). ''O que percebemos é que a área central é bastante agredida pela poluição, em especial a área interna do Terminal'', comentou o secretário.
Outra descoberta que chamou a atenção foi a contaminação da água da chuva. Uma pesquisa do Departamento de Química da UEL atestou que 35% de toda a água pluvial que atinge a região de Londrina é ácida. Essa medição aconteceu na área do campus. ''Isso corrói cadeados, portões, partes de automóveis, esquadrias. Se faz isso com esses metais imagina o que não é capaz de fazer com nosso corpo'', observou Cheida. Foram detectadas a presença de metais pesados como chumbo e zinco.
Embora a poluição agrida a população durante todos os meses do ano, é no inverno que as pessoas sentem com mais intensidade os seus efeitos. Isso porque nessa época, ocorre um fenômeno chamado de inversão térmica. Como o ar está mais frio, as nuvens não conseguem se dispersar, as partículas de poluição ficam estacionadas mais próximas ao chão e os transtornos que causam são imediatos. Os poluentes podem causar coriza, conjuntivites, rinites, bronquites, enfizemas e até doenças cardíacas.
O convênio que será assinado hoje entre Cheida e a reitora da UEL, Lygia Pupatto, na Sala dos Conselhos, prevê o repasse de R$ 101 mil oriundos do Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema) e uma contrapartida de R$ 18 mil da UEL. O recurso será usado para a concretização do projeto chamado de ''Caracterização Química das Precipitações Pluviais e do Aerossol Atmosférico na região de Londrina''. Cheida informou ainda que o trabalho contará com a participação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).


