Quem passou pela Rua Goiás, no Centro de Londrina, no domingo à tarde, se assustou com o fogo que vinha do terreno baldio, que tem cerca de mil metros quadrados. Casos como esses, de queimar lixo e mato alto em terrenos baldios, são comuns em Londrina. Só este ano, a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), já atendeu 61 denúncias, o que significa que a cada dois dias há um foco de incêndio, provavelmente criminoso.
''Moro aqui há oito anos e posso afirmar que todos os anos o fogo consome a área'', reclama Ângela Luquesi, se referindo ao terreno da Rua Goiás. Separada do terreno apenas por um muro de concreto, Ângela, que é cardíaca, sofre a cada queimada. ''Teve um dia que o fogo foi tão alto que eu não consegui sair de casa. No corredor que dá acesso à rua, dava para sentir o calor e a fumaça tomou conta de tudo. Tive que ser hospitalizada logo em seguida'', afirma ela, que muitas vezes entrou em contato com o Corpo de Bombeiros, mas diz que nem sempre eles comparecem no local. ''Eles falam que não podem atender no momento e que não é para eu me preocupar, pois o fogo não pega no concreto'', conta, indignada.
O sargento Éder Fernando, do setor de comunicações do Corpo de Bombeiros, explica que a orientação é para atender todas as denúncias, porém, algumas vezes, é preciso priorizar as de grande porte. ''A população deve compreender que não se trata de omissão'', afirma.
O proprietário do terreno, que não quis ter o nome divulgado, garante que faz a parte dele. Além de sempre contratar o serviço de capina, joga veneno para matar insetos, constantemente. Ele diz que há muito tempo quer colocar um alambrado e fazer uma terraplanagem no local, mas como parte do terreno é da prefeitura, é preciso que ele solicite uma autorização.
Para Ângela, a solução está na conscientização da população. ''É uma falta de respeito com as pessoas e o meio ambiente. É terrível ver que mesmo com tantas campanhas sobre preservação, ainda existem pessoas com falta de sensibilidade e educação'', ressalta.
O secretário municipal do Ambiente, Gérson da Silva, ressalta que as queimadas são crimes ambientais e, portanto, há punição para os autores, que podem ser multados em R$ 1 mil até R$ 50 milhões e também, serem acusados por crime ambiental. Porém, ele explica que é muito difícil flagar o criminoso. ''Temos que apelar para a conscientização dos londrinenses. Somente com denúncias da população é que conseguiremos identificar e punir os autores'', alerta.

Serviço: Para denunciar crimes ambientais, entrar em contato com a Sema através do telefone (43) 3341-9660.

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