Curitiba - De gota em gota, as oficinas mecânicas informais, principalmente, colaboram para que o óleo lubrificante, o maior resíduo industrial perigoso gerado no Estado, contamine o meio ambiente. Basta saber que existem mais de 15 mil estabelecimentos no Paraná, dos quais 60% funcionam irregularmente. Segundo o Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos (Sindirepa-PR), essa realidade impede que seja feita a fiscalização a nível municipal, já que sem alvará de funcionamento as oficinas não se vêm obrigadas a dar um destino adequado a este resíduo.
''Qualquer um pode montar o negócio no fundo de casa, não tem controle nenhum. Essas oficinas, que não estão devidamente constituídas, não têm CNPJ, são os grandes geradores de poluentes, porque jogam o óleo queimado em qualquer lugar, numa valeta. Estamos implorando que os orgãos ambientais fiscalizem esses locais, que, inclusive, já foram denunciados. A lei tem que ser para todos, não para meia dúzia'', disse o vice-presidente da Sindirepa-PR, Wilson Bill, explicando que não está previsto na lei federal que as oficinas mecânicas possuam licença ambiental.
''Nossa preocupação não é travar um combate contra as oficinas informais. Mas temos que achar uma solução para atingir o poluidor que está impune e ninguém chega nele'', justifica. De acordo com Bill, as empresas fiscalizadas pelo município são apenas as que possuem alvará de funcionamento - concedido pelas prefeituras - , cuja maioria está adequada ou em processo de destinar corretamente esses resíduos. Como é o caso do prório entrevistado, que construiu na sua oficina, na Vila Hauer, em Curitiba, caixa separadora (há mais de 10 anos), comprou tonéis para separação do lixo e paga para empresas recolherem o resíduo industrial perigoso (graxa, óleo queimado).
''Existe um ônus para não poluir o meio ambiente. Desde a estopa suja de óleo e caixa separadora à estufa, um espaço físico para armazenar o material contaminado e treinar pessoas para separar este material'', elenca o vice-presidente, acrescentando que ainda é preciso comprovar o controle de entrega e remoção do óleo lubrificante - feito por uma empresa especializada no serviço. Segundo ele, implantar a caixa separadora de gordura deve custar cerca de R$ 3 mil. Próximo do estabelecimento de Wilson Bill, é fácil encontrar quem não possua a infra-estrutura adequada para lidar com o resíduo.
A oficina mecânica de Antônio (nome fictício), de 64 anos, nunca foi fiscalizada por um órgão ambiental em mais de 29 anos de funcionamento. ''Não temos caixa separadora, quando o carro precisa ser lavado peço para o cliente levar em outro lugar'', disse o mecânico, que sozinho deu algum tipo de destino ao óleo lubrificante queimado e aos filtros. ''Eu junto tudo num tonel e depois vendo para uma empresa que recicla. O filtro deixo escorrendo e só depois jogo numa lata, assim como as estopas e embalagens do óleo. O caminhão do lixo depois leva tudo'', contou.
A venda de óleo lubrificante é normatizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas até o fechamento desta reportagem, o órgão não informou qual o volume comercializado no Paraná, nem a quantidade de óleo usado coletada, que deve ser comprovada a ANP mediante relatório. O produtor, importador, revendedor e consumidor final ficam responsáveis pelo recolhimento de, pelo menos, 30% do volume total dos lubrificantes usados e contaminados e devem prestar conta a ANP.
Multiplicando então, o número de veículos que circulam no Paraná (610 mil), o número médio de trocas de óleo lubrificante/ano (três vezes) e a quantidade utilizada a cada troca (três litros), estima-se que são consumidos, por ano, no Estado, aproximadamente 5.490.000 litros de óleo lubrifcante.

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