POLUIÇÃO - IAP aguarda resultado de análise
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sábado, 23 de julho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Resignado com o mau cheiro que ainda é possível sentir, andando pela área atingido por um vazamento de esgoto da Sanepar, que poluiu uma lagoa e um afluente do Ribeirão Jacutinga, o pai do proprietário, que mora na propriedade, o advogado João Miguel Fernandes, limita-se a dizer que ''apesar do odor desagradável, agora até que está bom''.
Nos próximos dias, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deve concluir a análise da água coletada da represa, o que ajudará a apurar se houve ou não crime ambiental.
''Ainda não temos o resultado da análise mas se for constatada poluição, a Sanepar pode ser multada. A multa é pesada, principalmente se há reincidência'', afirma o chefe-regional do IAP, Ney Paulo, acrescentando que não teria, nesse momento, como estimar o valor da multa.
O vazamento aconteceu no último dia 7, no Sítio São Francisco, nos fundos do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte). Pela manhã, ao ligar a bomba de captação de água, Fernandes percebeu que a lagoa estava muito cheia.
''Era um mundo de água. Me perguntei o que teria acontecido. Vi peixes mortos. Em princípio, achei que teriam jogado veneno na minha represa'', lembra o advogado.
Fernandes esclarece que a Sanepar está fazendo todo o possível para resolver o problema, mas que o vazamento espalhou dejetos por um pomar, uma horta, atingindo o Córrego Poço Frio, afluente do Ribeirão Jacutinga.
O advogado mantinha uma criação de peixes, incluindo tilápias e tucunarés, que morreram em consequência do vazamento, que durou cerca de 18 horas até que a Sanepar iniciasse o trabalho no dia seguinte.
''Chamei o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O pessoal disse que não podia fazer nada porque a Sanepar já havia contido o vazamento. Acredito que o crime ambiental já estava feito. Então, pedi por escrito a avaliação. Então, eles coletaram amostra de água para análise, mas ainda não deram uma satisfação'', lamentou Fernandes.
O problema teria sido provocado pelo entupimento de um dos quatro coletores-troncos que passa pela propriedade, devido ao mau uso da rede. A tubulação leva o esgoto para a estação elevatória do Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte).
Para sanar o vazamento, os operários da empresa abriram uma valeta para esvaziar a água da represa, o que poderia ter feito com que os dejetos fossem escoados para o afluente do Jacutinga. O ribeirão abastece a maioria dos 48 mil habitantes de Ibiporã (14 quilômetros a Leste de Londrina).
A empresa municipal de abastecimento de água e esgoto (Same) daquela cidade, atestou que a contaminação não interferiu na captação. Já a Sanepar, além de limpar a represa, se comprometeu em repovoá-la de peixes. Para ajudar na descontaminação da água foi espalhado cal nas margens.
Triste com o que aconteceu, Fernandes diz que não pensa em manter a lagoa, lembrando que a briga com a Sanepar para evitar que as tubulações da rede de esgoto passassem pela propriedade durou cerca de dois anos, depois do que ele acabou por concordar com a obra.
Esta semana, operários a serviço da Sanepar trabalhavam para instalar água no sítio, já que as cisternas podem estar contaminadas.
''Estou buscando água na mina do Iapar para a gente beber'', afirma o advogado.


