Poloneses estão há 130 anos no Brasil


Dimitri do Valle
De Curitiba
A colônia polonesa no Brasil está comemorando neste mês 130 anos da chegada dos primeiros imigrantes ao País. As programações comemorativas começaram a ser realizadas em Santa Catarina, onde as famílias se instalaram a partir de 1869. O calendário prevê ainda em agosto eventos nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. O vice-cônsul da Polônia em Curitiba, Jacek Grabanowski Jaroszewicz, esteve em Brusque (SC) para acompanhar durante a semana passada o resgate histórico do desembarque dos primeiros poloneses em terras brasileiras.
Apesar de Santa Catarina ter sido a porta de entrada dos poloneses no País, é o Paraná o Estado brasileiro que concentra o maior número de descendentes, que hoje chegam a 800 mil pessoas. A influência germânica em Santa Catarina motivou os poloneses a migrarem para o Paraná. No século 19 aproximadamente um terço do território da Polônia era dominado pela Alemanha. ‘‘Os fugitivos e imigrantes da Polônia não queriam, na terra prometida, ficar novamente sob o domínio e, tão pouco, ser vizinhos dos opressores da pátria mãe de origem’’, explica o cônsul da Polônia em Curitiba, Marek Makowski.
Curitiba concentra a segunda maior colônia de poloneses e descendentes do mundo. Na capital paranaense vivem cerca de 300 mil pessoas com alguma ligação familiar com os antepassados. Em todo o Brasil, segundo o consulado, 1,2 milhão de brasileiros tem origens polonesas. No município paranaense de São Mateus do Sul, durante o mês de agosto a população da cidade dedica oito dias de festejos para lembrar tradições típicas da cozinha e cultura da Polônia. A ‘‘Tradycje Polskie’’ acontecerá entre os dias 21 e 29 deste mês. Os municípios gaúchos de Áurea e Guarani das Missões também programam seus festejos para marcar a passagem do aniversário de chegada dos poloneses ao Brasil.
De acordo com o cônsul da Polônia em Curitiba, Marek Makowski, os primeiros imigrantes que aportaram na capital paranaense vieram de Santa Catarina. Eles se instalaram na Colônia Pilarzinho, que hoje leva o nome de um bairro da cidade. A identificação com o Paraná na Polônia dura até hoje. Cracóvia, que já foi a capital do país, é considerada a ‘‘cidade irmã’’ de Curitiba. Dois aspectos influenciaram esta comparação: o clima, que tem temperaturas muito baixas, e a composição da população, tanto no aspecto físico como comportamental, ou seja, bastante reservado.
A maior parte dos colonos que chegou ao Brasil era formada por agricultores, mas eles também se destacaram no ramo da tecelagem em Santa Catarina, conforme a historiadora Maria do Carmo Ramos Krieger Goulart, que lançou no ano passado na Sociedade União Juventus, em Curitiba, o livro ‘‘Anotações de uma imigrante polonesa’’. A historiadora narra as primeiras impressões sobre o Brasil escritras num diário pela sua bisavó Izabella, que nasceu na Polônia.


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