Londrina - As crianças e adolescentes ganharam voz durante a 9ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, que começou ontem em Londrina. Embora esta seja a nona edição, foi a primeira em que os jovens apontaram quais as suas necessidades de forma ativa. Isso foi feito por meio de 11 preconferências realizadas em todas as regiões da cidade, inclusive na zona rural. No total, cerca de 590 participantes elaboraram propostas - 70% eram crianças e adolescentes.
Os outros 30% foram compostos por educadores, gestores das entidades socioeducativas e assistentes sociais. O tema desta edição é "Política e Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes – fortalecendo os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente".
Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Télcia Lamônica, todas a propostas foram discutidas em grupos de trabalho e a partir da aprovação delas em sessão plenária, o conjunto desse material servirá como matéria-prima para discutir diretrizes do novo Plano Decenal. As propostas foram divididas em sete eixos: direito à vida e à saúde; direito à liberdade, ao respeito e à dignidade; direito à convivência familiar e comunitária; direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer; direito à profissionalização e à proteção no trabalho; fortalecimento das estruturas do sistema da garantia de direitos da criança e do adolescente e, por fim, reforma política dos conselhos de direitos da criança e do adolescente.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Nanci Skau Kemmer, destacou que a conferência é realizada a cada dois anos e declarou que a presença das crianças e adolescentes participando das discussões foi o destaque. "Foram feitas propostas em todas as áreas. São os adolescentes e crianças pensando sobre como eles fazem a diferença no processo democrático", apontou.
A pedagoga do Centro de Socioeducação de Londrina (Cense) 2, Glória Cardozo, destacou que os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas de internação também participaram das preconferências. "Eles conseguiram identificar as principais dificuldades pelas quais passam e o não cumprimento dos direitos que possuem no território deles ou no cumprimento das medidas."
Ela ressaltou que eles cobram mais educação, mais participação nos espaços públicos, e são contra a redução da maioridade penal. "Houve avanços importantes, mas ainda falta muito, já que não há garantia efetiva de educação e condições adequadas de desenvolvimento", ressaltou.

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