Política oficial é assistencialista, critica professora
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de dezembro de 1996
Da Sucursal 
A política oficial para o idoso no Brasil ainda é muito assistencialista, critica a professora do Departamento de Educação Física da UFPR Simone Rechia Ferreira, que trabalha com grupos de terceira idade. Para Simone, o que os idosos precisam não é de vales-transporte e cestas básicas, mas de espaços onde possam ser realmente produtivos.
A professora desenvolve um trabalho cuja preocupação vai além do aspecto biológico. O objetivo é mostrar que a educação, a família e a forma como a pessoa viveu também interferem na maneira como ela vai se perceber e relacionar na terceira idade, afirma.
O geriatra Luiz Bodachne - autor do livro Como envelhecer com saúde - diz que uma das condições importantes para uma velhice feliz é ter vivido bem as fases anteriores da vida. Segundo ele, a falta de preparo para aceitar o processo de envelhecimento é a fonte das principais angústias dos idosos. A ela se somam a queda de status financeiro, perda de familiares e dificuldades com a sexualidade.
Se afetam a maioria dos idosos, esses problemas são particularmente difíceis para os que não têm acesso a tratamentos adequados e grupos de convivência. Em Curitiba, cerca de 1.300 idosos vivem em 38 asilos. A maioria não oferece condições mínimas para uma vida digna. A Linha do Lazer, da prefeitura, leva algumas atividades aos asilos, mas apenas quatro são atendidos.
Nas unidades de saúde públicas, os idosos também não encontram o atendimento ideal. Há pouquíssimos geriatras na rede pública e mesmo para o atendimento não especializado há dificuldade em conseguir consultas, diz Bodachne. Embora a velhice não seja uma doença, 70% dos idosos têm algum problema de saúde, afirma.
Para superá-los, os especialistas indicam alimentação equilibrada, controle dos fatores de risco (como fumo e bebidas), atividades e exercícios físicos orientados. Hidroginástica, caminhadas e dança são exercícios apropriados, diz Simone, para quem a atividade física não deve ser vista só como prevenção de doenças: O ideal é a atividade voltada para a percepção corporal, que leva o idoso ao conhecimento de que ainda é capaz de se manter ativo e útil.


