A política oficial para o idoso no Brasil ainda é muito assistencialista, critica a professora do Departamento de Educação Física da UFPR Simone Rechia Ferreira, que trabalha com grupos de terceira idade. Para Simone, o que os idosos precisam não é de vales-transporte e cestas básicas, ‘‘mas de espaços onde possam ser realmente produtivos’’.
A professora desenvolve um trabalho cuja preocupação vai além do aspecto biológico. ‘‘O objetivo é mostrar que a educação, a família e a forma como a pessoa viveu também interferem na maneira como ela vai se perceber e relacionar na terceira idade’’, afirma.
O geriatra Luiz Bodachne - autor do livro ‘‘Como envelhecer com saúde’’ - diz que uma das condições importantes para uma velhice feliz é ter vivido bem as fases anteriores da vida. Segundo ele, a falta de preparo para aceitar o processo de envelhecimento é a fonte das principais angústias dos idosos. A ela se somam a queda de status financeiro, perda de familiares e dificuldades com a sexualidade.
Se afetam a maioria dos idosos, esses problemas são particularmente difíceis para os que não têm acesso a tratamentos adequados e grupos de convivência. Em Curitiba, cerca de 1.300 idosos vivem em 38 asilos. A maioria não oferece condições mínimas para uma vida digna. A ‘‘Linha do Lazer’’, da prefeitura, leva algumas atividades aos asilos, mas apenas quatro são atendidos.
Nas unidades de saúde públicas, os idosos também não encontram o atendimento ideal. ‘‘Há pouquíssimos geriatras na rede pública e mesmo para o atendimento não especializado há dificuldade em conseguir consultas’’, diz Bodachne. ‘‘Embora a velhice não seja uma doença, 70% dos idosos têm algum problema de saúde’’, afirma.
Para superá-los, os especialistas indicam alimentação equilibrada, controle dos fatores de risco (como fumo e bebidas), atividades e exercícios físicos orientados. ‘‘Hidroginástica, caminhadas e dança são exercícios apropriados’’, diz Simone, para quem a atividade física não deve ser vista só como prevenção de doenças: ‘‘O ideal é a atividade voltada para a percepção corporal, que leva o idoso ao conhecimento de que ainda é capaz de se manter ativo e útil.’’

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