Política de serviço público dá lugar à medicina privada
Goretti: ação criativa e análise de custos ao invés do excesso de hierarquiaOs futuros líderes devem entender os mecanismos políticos e sócio-econômicos que determinam as condições atuais do sistema de saúde pública e privada. De acordo com o médico argentino Pedro de Sarasqueta, o Estado reduz drasticamente sua intervenção nas obras sociais enquanto os convênios e companhias seguradoras avançam e controlam uma fatia crescente do mercado de saúde.
Definir os critérios que decidirão os serviços que serão prestados pelo poder público e pela iniciativa privada torna-se vital. Em artigo, publicado pela revista chilena de medicina social Salud y Cambio, ele questiona o favorecimento da saúde como mercadoria essencial de consumo.
Ao analisar um relatório do Banco Mundial sobre o setor, Sarasqueta avalia que embora a entidade considere que a pobreza e a baixa renda per capita sejam variáveis fundamentais para as precárias condições de saúde, não questiona as causas destas diferenças sociais.
A situação sanitária mundial é ruim, segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os danos provocados pelas doenças transmissíveis e perinatais nas taxas de morbidade e mortalidade dos países subdesenvolvidos ainda são exagerados. Os números indicam uma variação de 5 a 20 vezes mais mortes e morbidade que nos países desenvolvidos.
As doenças transmissíveis e as perinatais respondem por 42,2% a 71,3% da taxa de mortalidade e incapacidade do indíviduo, em relação a expectativa de vida ou de uso total de sua capacidade física e intelectual. Nos países desenvolvidos, este índice atinge 9,7% da população. Pobre, a maioria da população mundial não tem acesso a serviços sanitários básicos.
Arquivo/FLAtendimento pobreSegundo avaliação de médico argentino, Estado investe cada vez menos no serviço de saúde pública
Água potável, saneamento ambiental, aleitamento materno, a formulação de um programa de imunização, realização de pré-natal e atendimento preventivo ou curativo nas etapas iniciais das doenças seriam suficientes para reverter este quadro.
A volta de antigos males, como a tendência mundial de privatização da saúde, apoiada pelo Banco Mundial, terá um impacto profundo nas camadas mais pobres da população e nas condições de trabalho dos profissionais de saúde. A volta da dengue, malária, tuberculose, todas doenças que estavam praticamente controladas com medidas sanitárias reapareceram quase no século XXI.
Altos investimentos em serviços de saúde não significam bons resultados, explica. China, Costa Rica, Cuba e Sri Lanka têm uma esperança de vida entre 5 e 10 anos maior que a esperada considerando os gastos com saúde e nível educacional. Ao contrário, Estados Unidos, França, Uganda e Egito apresentam esperança de vida inferior ao previsível, usando as mesmas variáveis.
Arquivo/FLAtendimento ricoPrivatização da saúde terá impacto profundo nas camadas pobres e nos profissionais da áreaOs altos investimentos com serviços de saúde justificam o grande interesse que despertam aos grupos privados e grandes fornecedores. O valor representa 8% do Produto bruto mundial, o que indica em torno de U$ 1,7 bilhão de recursos, dos quais 60% são gastos estatais.
Outra discussão é sobre o papel desfavorável que joga a dívida externa na geração de pobreza e limitação ao desenvolvimento. Milhões de dólares pagos sob forma de juros deixam de ser investidos para as populações dos países subdesenvolvidos afirma. Limita-se o uso potencial destes recursos econômicos em investimentos produtivos e sociais.





