Política de bancos de leite humano completa 30 anos
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Reportagem Local 
O Brasil possui atualmente 217 unidades de bancos de leite, distribuídas em todos os Estados do território nacional. Além de promover o aleitamento materno, estes espaços são utilizados para coletar e distribuir leite humano para as crianças que precisam, contribuindo assim para a diminuição da mortalidade infantil. Nos bancos de leite, as mães e demais familiares dos bebês também recebem orientações e apoio à amamentação. De acordo com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas), somente com a amamentação já é possível reduzir a mortalidade infantil em 13%.
Em 2015, a implementação das políticas públicas em bancos de leite humano no Brasil completa 30 anos. O ano também marca uma década de união de esforços para a construção da Rede Latino-ibero-afro-americana de Bancos de Leite Humano (rBLH). Para comemorar estes marcos, acontece até 25 de setembro, em Brasília, o 2º Fórum ABC/Fiocruz/Ministério da Saúde de Cooperação Internacional em Bancos de Leite Humano e o 6º Seminário Nacional de Políticas Públicas e Aleitamento Materno.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, ressaltou, durante a solenidade de celebração das datas, a importância da rede para a saúde das crianças. "Estes 30 anos de políticas públicas voltadas para o leite humano foram fundamentais para que o Brasil pudesse alcançar as metas de desenvolvimento do milênio referentes à redução da mortalidade infantil. De 1992 para cá, nós tivemos mais de 77% de redução. O aleitamento materno é um dos investimentos mais inteligentes e eficientes que os sistemas nacionais de saúde e sociedades podem oferecer às crianças", disse o ministro.
As estratégias de incentivo à doação de leite humano conduzidas pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), coordenada pela Fiocruz, resultaram na implantação, na última década, de 79 Bancos de Leite Humano na Ibero-América e na África. Entre 2009 e 2014, os países dessas regiões, em conjunto com os bancos de leite humano da rede brasileira coletaram 1.132.760 litros, doados por 1.264.810 mães, que alimentaram e nutriram 1.264.497 crianças internadas em unidades de terapia intensiva/semi-intensiva neonatais.
A atriz Maria Paula, madrinha da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, é uma defensora da doação de leite. Mãe de duas crianças, a atriz ressalta a importância do leite doado para os bebês necessitados. "Os bancos permitem que os bebês na UTI neonatal consigam não apenas sobreviver, mas voltarem para as suas mães com saúde. Isso é uma verdadeira rede de apoio mútuo, rede de amor, de vínculo afetivo, de paz, de uma sociedade mais respeitosa, mais amorosa. É esse exemplo que temos que dar", disse Maria Paula.
O modelo brasileiro de bancos de leite humano e as políticas públicas no Brasil são focadas na proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno, exclusivo, até os 6 meses e continuidade da amamentação por até os 2 anos ou mais. Nos bancos de leite humano, por exemplo, todo leite coletado passa por um rigoroso controle de qualidade antes de ser distribuído e é fornecido de acordo com as necessidades de cada criança. O Ministério da Saúde, em parceria com a rBLH, promove e intensifica campanhas e políticas públicas de aleitamento materno, estimulando o ato.


