Duas semanas após a inauguração da Policlínica Municipal de Londrina, no Jardim Presidente (Zona Oeste), a fila de espera por atendimento médico especializado na cidade ainda caminha em ritmo lento. Passado um período reservado para trabalhos internos, a nova unidade foi aberta ao público na segunda-feira. Até agora, entretanto, poucos pacientes passaram por lá. Fato que não condiz com a enorme demanda por consultas na rede municipal de saúde, uma média de 25 mil por mês.
A Policlínica tem capacidade prevista de quatro mil consultas por mês. Cada médico poderá, a princípio, realizar 20 consultas por dia. A diretora executiva da Secretaria de Saúde de Londrina, Margareth Shimiti acredita que, com essa oferta, será possível absorver 20% da demanda do município. ''Dentro de três a seis meses deverá haver redução acentuada na fila'', garante ela.
A Policlínica oferece atendimento em seis áreas específicas cardiologia, dermatologia, endocrinologia, reumatologia, neurologia e pneumologia além de acupuntura, nutrição e fisioterapia. Segundo Margareth, a Policlínica ainda está em fase de agendamentos junto às 52 Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Londrina, incluindo a Zona Rural. Somente os profissionais dessas unidades e do Programa Saúde da Família (PSF) podem encaminhar pacientes para a Policlínica a procura direta não é permitida.
A diretora explica que o município não quer sobrecarregar a nova unidade e, por isso, está procurando ao mesmo tempo otimizar o atendimento nos postos. ''Os médicos que trabalham com atenção básica estão passando por oficinas para padronizar condutas e exames, evitando que o paciente fique fazendo várias tentativas de tratamento. Para fazer o encaminhamento à Policlínica, o profissional precisa de justificativa'', esclarece.
Atualmente, os pacientes da rede municipal que necessitam de especialistas são atendidos em clínicas credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). O principal prestador conveniado, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), oferece 18 mil consultas por mês. Em algumas áreas, como dermatologia, o pequeno número de profissionais não dá conta da enorme demanda. O resultado são esperas que variam de dois a seis meses, de acordo com Margareth.
A má notícia para quem está nessa fila é que a Policlínica vai priorizar o atendimento de novos pacientes, e não dos que já agendaram consulta. ''Não vamos mexer na fila do Cismepar. O que pode ocorrer é uma pessoa da fila estar em tratamento no Saúde da Família e, nesse caso, o médico pode mandá-la para a Policlínica'', afirma. Segundo a coordenadora da Policlínica, Maria Lúcia Keiko Oguido, algumas doenças também terão prioridade. ''Vamos tentar trabalhar com algumas patologias onde a demanda é maior. Dentro da cardiologia, vamos atender os hipertensos de difícil controle, por exemplo. Na endocrinologia, os diabéticos. Depois abrimos para outras'', assinalou.

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