Polícias tentam explicar escalada da violência
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Depois da tempestade, virá a bonança? Londrina fechou esta semana o mês mais violento na cidade em 2004: nos 30 dias de novembro, 27 pessoas foram assassinadas no município. Até a tarde de ontem, eram 165 vítimas de homicídio desde o início do ano. Diante do medo que toma a população londrinense, as autoridades policiais buscam explicações para a escalada da violência e soluções para detê-la.
O capitão Altivir Cieslak, que responde interinamente pelo comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), considera que o alto índice de assassinatos em novembro foi ''atípico''. ''O que é possível perceber é que foram registradas muitas ocorrências com mais de uma vítima fatal. Muitas situações de desacerto acabaram resultando em assassinatos numa mesma época. Isso foi incomum, porque nos meses anteriores estavam ocorrendo menos crimes do que na comparação com 2003. No total, o número de homicídios em 2004 ainda é menor do que o registrado entre janeiro e o final de novembro do ano passado'', pondera o capitão.
Cieslak diz que a PM já iniciou um ciclo de operações em bairros de maior criminalidade em Londrina. A respeito de recursos materiais, o capitão admite que há muitas viaturas do 5º BPM no conserto, mas prefere não divulgar números. ''O governo estadual está liberando o dinheiro para os reparos na medida do possível'', explica. Sobre recursos humanos, Cieslak lembra que em setembro 121 novos PMs se formaram no 5º BPM e já estão trabalhando na região de Londrina.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, também acredita que novembro foi diferente da realidade dos outros meses de 2004. ''Foi um mês atípico dentro deste ano e para esta época. Mas nós não estamos numa ilha. Em todo o país a violência aumentou. Nossa situação ainda é melhor do que a de outros estados. Em Londrina, praticamente 100% dos homicídios registrados nos últimos dias foram solucionados ou estão com as investigações bastante adiantadas'', diz ele.
No começo da semana, foi realizada uma reunião de delegados, na qual André pediu ''empenho'' na apuração de crimes mais graves. O delegado-chefe afirma que operações específicas estão sendo desenvolvidas na cidade e que a região de Londrina recebeu um reforço de policiais civis este ano. ''Sobre recursos humanos, trabalhamos bem com o que temos. Quanto aos materiais, estamos sem problemas'', alega.
O secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, alega que a prefeitura de Londrina está fazendo o possível para ajudar o estado no combate à criminalidade. ''No primeiro semestre, enviamos um projeto de lei para a Câmara de Vereadores para que até 30% do dinheiro do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom) seja destinado às polícias Militar, Civil e Científica. Essa porcentagem representaria um repasse anual de até R$ 700 mil'', afirma.
''Além disso, estamos construindo um posto para a PM no Jardim Leonor (Zona Oeste). Acreditamos que a prefeitura pode e deve contribuir, apesar da responsabilidade pela segurança pública ser do estado. A população também pode ajudar, através de mecanismos como o Disque Denúncia. Ninguém consegue investigar nada sem informação'', opina Pereira. O projeto que destina até 30% do dinheiro do Funrebom para as polícias ainda não foi votado na Câmara.
No início da semana, o projeto Ação Integrada de Fiscalização Urbana foi lançado oficialmente no auditório do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval). A idéia é utilizar órgãos como a Vigilância Sanitária e o Procon como fontes de informação para o trabalho das polícias Militar e Civil.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que não há previsão de novos recursos para a região de Londrina porque o orçamento para 2005 ainda não foi fechado. A reportagem da Folha tentou por três tardes realizar entrevista com o delegado da Polícia Federal em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, mas não foi atendida.


