Polícias e promotores vivem conflito
Paulo Pegoraro
De Cascavel
As polícias Civil e Militar e o Ministério Público estão em conflito em Cascavel. Anteontem, promotores denunciaram ameaças de morte recebidas em cartas e telefonemas. Eles pressionam a Polícia Civil a desengavetar inquéritos sobre receptação e crime organizado. Ontem, o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP), Haroldo Davison, acusou um promotor e policiais militares de coagir um empresário durante um depoimento.
Segundo Davison, ele obteve o depoimento de um empresário, preso sob acusação de ser receptador, alegando que promotores e policiais militares o pressionaram para incriminar policiais civis, sob a promessa de benefícios no processo. O principal incriminado seria o delegado operacional Manoel Pelisson, investigado por suposta venda de uma carreta roubada.
A origem do conflito está na prisão feita pela PM, em fevereiro, do empresário Luiz Nesello, 27 anos, o Gasparzinho, do ramo de autopeças, acusado por receptação. O flagrante foi redigido pelo próprio delegado Pelisson (e não por um escrivão). No início do mês, o MP recebeu carta anônima apontando Pelisson como tendo apreendido uma carreta, roubada em São Paulo, e a repassado para o empresário (e piloto de Fórmula Truck) Sidney Alves, também do ramo de autopeças.
Alves está foragido desde a semana passada, quando foi decretada sua prisão preventiva o MP tem informação de que ele estaria em Buenos Aires (Argentina). Também na semana passada, Gasparzinho foi transferido para o 6º Batalhão de Polícia Militar, por determinação judicial. Por saber demais, ele estaria sofrendo ameaças de policiais envolvidos com o crime organizado. Dois dias depois, a Justiça determinou seu retorno ao minipresídio, por entender que as ameaças eram inconsistentes.
Davison afirma que, no depoimento que tomou de Gasparzinho, ele disse que nunca recebeu ameaças de policiais, mas de outros presos, por motivos banais. O empresário afirmou, ainda segundo Davison, que quatro promotores lhe prometeram proteção da PM e aliviar o processo que responde, caso falasse algo contra a PC de Cascavel como se fosse uma suposta verdade. Gasparzinho afirma que policiais militares também o pressionaram para fazer a mesma incriminação, no período em que permaneceu no 6º BPM.
Me causa espécie (estranheza) a transferência de Gasparzinho para a PM e logo depois seu retorno para a 15ª SDP, afirmou Davison à Folha. O delegado considera que os promotores estariam fazendo estardalhaço público sem provas concretas contra o delegado Manoel Pelisson. O depoimento de Gasparzinho foi testemunhado por dois representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, assegurando a lisura ao ato, garantiu Davison.
Os promotores Carlos Choinski e Cláudia Biazus afirmam que o empresário Gasparzinho foi ouvido pelo Ministério Público sempre em companhia de seu advogado. Segundo eles, cabe ao delegado Davison provar que o preso foi pressionado para fazer acusações. A Folha apurou que o advogado Augusto Bittencourt é quem comunicou ao MP e à Justiça que Gasparzinho estava sofrendo ameaças e que se fosse posto em liberdade sob proteção para responder o inquérito, poderia prestar importante colaboração às investigações do MP.
Os promotores preferiram não comentar outras declarações do delegado-chefe da 15ª SDP, sobre as ameaças que denunciaram ter recebido e sobre o engavetamento de inquéritos. O tenente-coronel Amauri de Lima, comandante do 6º BPM, assegura que o depoimento de Gasparzinho revelado por Haroldo Davison, é infundado. É um absurdo, pois nossos policiais sequer se aproximaram de sua cela quando ele aqui esteve. Segundo o comandante, alguém estaria tentando jogar uma instituição contra outra (PM x PC).





