Curitiba A presença constante de policiamento dentro e nos arredores das escolas foi a melhor solução encontrada até o momento por 11 colégios estaduais de Curitiba, considerados em situação de maior gravidade na Capital no que se refere à questão de segurança. A situação nessas 11 escolas foi diagnosticada depois de várias reuniões realizadas ao longo deste ano, com professores, diretores e comunidade, com o objetivo de construir um Plano Estadual de Educação, que priorize a educação para a paz e segurança nas escolas.
Brigas entre gangues, tráfico de drogas, altos índices de indisciplina, repetência e evasão de alunos, vandalismo com o patrimônio escolar, furtos, agressões física e moral, alcoolismo em função da existência de bares nas proximidades e não participação da família na vida escolar foram os principais problemas durante o levantamento feito junto às 163 escolas e 113 centros de educação de jovens e adultos, que fazem parte do Núcleo Regional da Educação de Curitiba.
''Até o início deste ano isso aqui era um caos. Tínhamos problemas de drogas, gangues, depredação, assaltos, furtos. A gente tinha que fazer acordo com os bandidos para poder sair vivo da escola'', conta o diretor do Colégio Santa Rosa, situado no bairro Solitude, um dos mais violentos da Capital. Segundo ele, a situação ''mudou da água para o vinho'' depois que a Secretaria de Estado da Educação foi avisada do problema e garantiu a presença da Polícia Militar (PM) no colégio.
A secretária Stael Watanabe, do Colégio Estadual Professor José Guimarães, localizado na Vila Hauer, é outra defensora da presença da PM na escola. ''No início do ano teve até tiroteio na frente da escola. Nós tínhamos problema com alunos alcoolizados, vendendo droga aqui dentro e briga de gangues. Com a polícia, esses problemas praticamente acabaram'', diz.
No Colégio Santa Rosa, que tem 2 mil alunos de 5 a 8 série e de ensino médio, os PMs só ficaram no local em tempo integral no início. Hoje são acionados rapidamente, quando necessário. No estabelecimento da Vila Hauer, que tem 1,5 mil alunos no ensino médio, a direção ainda não conseguiu manter a tranquilidade sem policiamento. ''Tiramos a polícia por dois dias e os problemas já voltaram. Isso mostra que os alunos ainda não tomaram consciência'', afirma Stael.
O policiamento, no entanto, é apenas o primeiro passo na implementação de um programa mais amplo, que vem sendo desenvolvido pelo NRE. O objetivo é elaborar um Plano Estadual de Educação, que aborde os aspectos Educação para a Paz e Segurança nas Escolas, com possibilidade, inclusive de criação da disciplina Educação pela Paz nas escolas.
Segundo a chefe do Núcleo, Sheila Toledo Pereira, a intenção é construir uma proposta pedagógica, com metas e objetivos para os próximos dez anos. ''Estamos repensando que escola nós queremos. Que seja um lugar onde o aluno não fique ocioso e possa participar de atividades complementares, como dança, esportes, e a escola se abra para a participação da comunidade'', diz.
Cardoso ressalta, no entanto que, por enquanto a prioridade tem sido policial e não pedagógica. ''Quando um doente está morrendo, ele precisa ir para a UTI. É o caso das nossas escolas, que precisaram primeiro de policiamento. Agora estamos vendo outros eventos'', diz.

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