Policial vira assistente social de preso
Em alguns distritos, os policiais acabam deixando de fazer o papel de investigador para ser colocado numa nova função: a de assistente social do preso. Segundo o delegado Jeferson Raposo de Melo, do 7º Distrito Policial, os policiais acabam tendo que ficar dentro da delegacia para cuidar dos presos e acabam deixando de lado os trabalhos e as diligências necessárias para a resolução dos inquéritos. São 16 policiais, que trabalham em turnos. São três em cada turno. Se deixarmos menos de três policiais na delegacia, os presos acham que estão livres e podem tentar um motim, afirma o delegado. Atualmente, o 7º distrito tem 84 presos, sendo que a capacidade é para apenas 40 detentos.
A falta de policiais para fazer as investigações rotineiras também é compartilhada pelo 8º distrito policial. O delegado Kioshi Hattanda diz que não tem como negar vagas na cadeia do distrito. Atualmente, 90 presos estão concentrados em 20 celas, cada uma com capacidade para apenas 2 presos. Eu não vou recusar o preso, ele tem que ficar em algum lugar, afirma o delegado.
Para ele, quem sofre com a superlotação dos distritos é a própria comunidade. Os policiais que tinham que levantar dados ficam cuidado das celas e, por esta razão, os processos acabam tramitando lentamente, lembra Hattanda. Por não negar vagas, o 8º distrito já chegou a abrigar 107 presos. Alguns presos tinham que dar um jeito de sentar no chão para não ter que dormir em pé, diz o delegado.
O único distrito policial que abriga mulheres detidas também está superlotado. A capacidade seria para 16 mulheres, mas o distrito já conta com 22 presas. Apesar de não ter celas masculinas, o 9º distrito tem ainda 7 homens detidos. Não temos para onde mandar os presos, por isto temos que usar a criatividade e acomodar os detentos do jeito que dá, afirma o delegado Marcus Michellotto. Na sua passagem pelo 10º distrito, o delegado chegou a criar uma cadeia provisória, que está atualmente sendo usada para a colocação de pessoas detidas em flagrante.





