Policial vai a ministro contra o tele-sexo
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sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Paulo Ubiratan 
O policial rodoviário estadual Joaquim Carlos Costa, revoltado com a situação de diversos usuários de telefone que foram obrigados a pagar ligações no tele-sexo, gravou uma fita e a enviou ao ministro da Justiça, Nelson Jobim, solicitando providências a respeito. O policial diz que não foi vítima de ligações tele-sexo, mas por questão de cidadania ele não entende o favorecimento oficial de permitir que um meio de comunicação sirva para a prostituição e levar a imoralidade aos jovens. A revolta de Costa está fundamentada em pessoas cujo os filhos menores fizeram ligações escondidos dos pais que, agora, têm que pagar contas de telefone astronômicas.
Segundo o policial rodoviário, os contratos dessas linhas são feitos entre a estatal Empresa Brasileira de Telecomunicação (Embratel) e empresas estrangeiras, a maioria delas sediadas no Caribe. Costa enfatiza que o tele-sexo é uma forma de extorquir dinheiro das famílias brasileiras com anuência do próprio Estado. As propagandas que incentivam as pessoas a fazer as ligações são veiculadas em jornais e televisão, com apelos pornográficos usando mulheres nuas. Por si só a propaganda já mostra a baixaria e o péssimo gosto da proposta, que somente vem prejudicar os princípios básicos da moral familiar. Ele diz que não quer pregar moralismo, mas se acha ofendido na sua cidadania.
A comerciária Lúcia Batista Galindo, moradora no conjunto Semíramis (zona norte de Londrina), está desesperada porque tem que pagar R$ 2.709,34, de conta telefônica. As ligações foram feitas ao tele-sexo por seus filhos menores, equanto ela estava trabalhando. Um dos filhos chegou a ficar doente quando soube da conta a pagar, pois acreditava que as ligações não fossem tão caras. A maior preocupação da mãe é o dano moral sofrido pelos filhos. A família é evangélica e a mãe garante que cuida muito bem da educação dos filhos. Para pagar a dívida, Lúcia está rifando a geladeira.


