Alexandre Sanches
De Londrina
Um policial militar, que pediu para não ter a identidade revelada, procurou a Folha dizendo estar exausto com as atividades da PM devido à escala de trabalho. No final de dezembro ele teria sido escalado, junto com outros 150 policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) para atuar na segurança das equipes de futebol que disputaram em janeiro o Torneio Pré-Olímpico de Futebol, em Londrina.
Segundo o policial, desde a chegada da Seleção Brasileira à cidade, no dia 3 de janeiro, até o final da competição, no dia 6 de fevereiro, a escala de serviço foi ‘‘exagerada’’. ‘‘Trabalhamos todos os dias sem folgas. Quando não estávamos com as equipes nos hotéis estávamos fazendo patrulha a pé pela cidade. Quando havia jogos tínhamos que estar o tempo todo no estádio’’, relatou.
Um efetivo de 450 policiais, vindos de Curitiba e dos batalhões da região, além do pessoal do 5º BPM, fez a segurança do torneio. Com esta saída dos quartéis, segundo o PM, houve também sobrecarga para os que ficaram no setor administrativo. ‘‘Quem fazia esse trabalho precisou ir para as ruas e quem já trabalhava no patrulhamento ostensivo teve que redobrar suas forças, diminuindo as folgas’’, disse.
‘‘Não temos apoio psicológico. Quando alguém comete uma barbaridade é condenado até pela corporação, que não se questiona o motivo’’, disse o PM. Ele afirma que há problemas com usuários de álcool ou drogas, mas que o assunto é ‘‘tabu’’ dentro da corporação.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, negou que tenha havido sobrecarga aos policiais que trabalharam durante o Pré-Olímpico. ‘‘O que houve foi um esforço concentrado, com policiais inclusive de outras cidades, e que envolveu não só a PM mas como todos os outros segmentos da sociedade. Um evento como este, que não é sempre que acontece, tem caráter emergencial e precisou de um pouco mais de esforço mas nada absurdo’’, garantiu.
Segundo o comandante, os policiais trabalharam dentro ‘‘daquilo que preconiza a lei, 44 horas semanais’’. Com relação aos problemas de álcool e drogas, Máximo Fim disse que há o encaminhamento para o setor de serviço social em Curitiba. O comandante afirmou também que em breve será implantado no 5º BPM um plano de apoio psicoterápico.

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