Policial que matou três vai a julgamento hoje
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
O soldado da Polícia Militar Osvaldo Castilho, acusado de matar três pessoas em maio de 1992, será julgado hoje, a partir das 13h30, em Campo Mourão. O crime deveria ter sido julgado no dia 7 de outubro do ano passado no fórum de Goioerê (onde ocorreram os assassinatos), mas o julgamento foi adiado porque os jurados alegaram falta de segurança. Eles disseram que temiam represálias de outros policiais dependendo do resultado do julgamento.
Castilho atualmente atua no destacamento de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão), mas na época ele trabalhava em Mariluz, já na região de Umuarama. O crime, porém, ocorreu em Goioerê. O soldado matou a tiros a ex-mulher dele, Elza Fagundes de Lima, o namorado dela, Sebastião Ferri, na época com 37 anos, e o pai de Sebastião, Mário Ferri, 62 anos. Castilho se apresentou à polícia poucos dias depois do crime e alegou que havia sido agredido.
O advogado Irineu Brzezinski, que já foi promotor por 10 anos, vai fazer a defesa do policial. Ele disse que tem várias teses de defesa para apresentar. Uma delas será de que o crime teria sido praticado em defesa da honra. As outras possíveis teses, Brzezinski afirmou que só vai apresentar durante o julgamento. A acusação será feita pela promotora Rosana Araújo de Sá Ribeiro Pereira. O júri será presidido pela juíza Mylene de Rey Assis Fogagnoli.
Há um ano, quando o crime deveria ter sido julgado em Goioerê, os jurados alegaram, ainda antes do sorteio que definiria os sete escolhidos para o caso, que se sentiam constrangidos de participar de um júri de um policial militar que ainda não havia sido julgado pela Justiça Militar e que continuava exercendo normalmente suas funções. O Ministério Público concordou com o adiamento porque entendeu que havia o risco do julgamento não ser imparcial.
Segundo o 11º Batalhão da PM em Campo Mourão, Castilho não foi submetido à Justiça Militar porque não houve crime militar. O soldado não estava em serviço quando cometeu o triplo homicídio. Caso Castilho seja condenado a uma pena superior a dois anos de prisão, no entanto, um procedimento administrativo deverá decidir se ele permanecerá ou não na corporação.


