Policial que deu um tiro no peito morre em Londrina
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2001
Edna Mendes De Londrina 
Morreu ontem na Santa Casa de Londrina, o cabo Paulo Roberto Gusmão, 42 anos. Ontem, a Folha publicou uma reportagem sobre o estresse na Polícia Militar, motivo que teria levado o cabo Gusmão a tentar o suicídio no início do mês. Ele estava hospitalizado há 23 dias depois que tentou se matar com um tiro no peito.
Colegas de profissão do cabo disseram que o policial tentou o suicídio após receber várias ameaças por parte de um tenente do comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (5ºBPM). As ameaças seriam resultado de um acidente com a viatura em que Gusmão e outro colega estavam durante o trabalho. Sob a ameaça de sindicância, o cabo resolveu mandar consertar por conta própria o veículo mas não conseguiu pagar a oficina. Segundo seus colegas, o tenente teria ameaçado puni-lo, inclusive via rádio.
Gusmão estava na Polícia Militar há 23 anos. Segundo sua família, ele era alcóolatra e ficou seis anos sem beber. No final do ano passado, voltou a beber justificando que somente com a bebida tinha forças para aguentar o baixo salário e as humilhações dos superiores. Ele era casado e tinha dois filhos. O corpo será sepultado hoje às 8 horas no Cemitério São Pedro.
Ontem à tarde, dois policiais, que pediram para não ser identificados por medo de represálias, telefonaram para a Folha denunciando abuso por parte dos comandos do 5º (com sede em Rolândia) e do 15º BPM. Eles reclamaram que também são vítimas de humilhação e constrangimento por parte dos superiores. Somos controlados à base do pavor e do medo, disse um deles.


