Sid Sauer
De Campo Mourão
O soldado da Polícia Militar de Campo Mourão, Eládio Hildemar Graebin, 50 anos, prendeu ontem de manhã o próprio filho, o mecânico desempregado R.G., 19, que estava com cerca de 200 gramas de maconha escondidas no guarda-roupa. Eládio contou que desconfiava que o filho usa drogas e levantou às 5 horas para revistar o quarto do filho. Além de R.G., ele prendeu outros três rapazes amigos do filho.
Na hora da prisão, R.G. estava com os três – um deles menor de idade – na rua, a poucos metros de casa. Segundo o soldado, eles estavam embriagados. Eládio disse que sacou a arma para anunciar a voz de prisão porque temia reação. ‘‘Eu estava sozinho e eles eram em quatro’’, explicou. Em seguida, ele levou os quatro rapazes para o quintal de casa, enquanto a mulher dele (mãe de R.G.) chamou a viatura pelo telefone.
‘‘Estou arrasado, mas não tem como esconder uma coisa dessas’’, disse o soldado, enquanto o filho prestava depoimento. Ele afirmou não saber quando o filho poderá sair da cadeia. ‘‘Vai depender do juiz.’’ Eládio, 20 anos de profissão, não tem esperança que isto ocorra tão cedo: ‘‘Ele nega que seja traficante, mas a quantidade apreendida é grande para um usuário.’’
R.G. se negou a dizer de quem comprou a droga e isentou os outros três rapazes de qualquer envolvimento. Abatido o policial, admite que o filho pode passar a odiá-lo, mas disse que não poderia deixar R.G. dar o mau exemplo para o irmão mais novo, que completa 18 anos na segunda-feira.
Folha – O senhor chegou a pensar em não prendê-lo?
Eládio – Ele já tinha sido avisado e recebido conselhos. Eu não tinha outra coisa a fazer.
Folha – Como policial o senhor cumpriu o seu dever. E como pai, como foi prender o filho?
Eládio – Foi uma lição. Tenho outro filho mais novo que precisa ver isso como exemplo.
Folha – O fato acabou com a sua virada de ano?
Eládio – Já perdemos o Natal com a morte de um colega (o soldado Carlos Alberto dos Reis, 25, morto com dois tiros após uma discussão no trânsito na noite de 24 de dezembro). Agora, mais essa...
Folha – O que o senhor vai fazer agora?
Eládio – Vou esperar. Acho que isso acontece para ver se o coração da gente aguenta. É uma prova de fogo.

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