O investigador Paulo Fumiyuki Asso, 39 anos, que levou um tiro na coxa esquerda na manhã de sexta-feira durante uma fuga na cadeia de Campo Mourão, pode ter sido atingido por um outro policial e não pelo preso Oberdan de Souza, 26, como foi inicialmente divulgado pela polícia. A possibilidade foi confirmada pelo próprio delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Roberval Butaccini, após conversar com os policiais.
Pela nova versão, o tiro que acertou a coxa de Asso foi o mesmo que teria passado de raspão pela perna de Souza e teria sido disparado pelo investigador Anselmo José Cordeiro na tentativa de conter o preso que estava em luta corporal com Asso. Mesmo ferido, Souza conseguiu fugir, mas foi recapturado poucos minutos depois às margens de um rio na saída para Cascavel. De volta à cadeia, o preso foi espancado por policiais civis e militares na frente de repórteres.
O policial ferido na coxa estava se recuperando bem ontem de manhã após passar por uma cirurgia de quatro horas no hospital Interclínicas, de Campo Mourão. O tiro que acertou a coxa dele atingiu uma artéria, o que tornou a cirurgia delicada. O médico Francisco Claudino descartou ontem, porém, o risco de Asso perder a perna, como chegou a ser cogitado pela polícia na sexta-feira. O investigador deveria deixar a UTI ainda ontem. ‘‘Depois do susto, estou melhor’’, disse Asso em entrevista à rádio Colméia.
A prisão de Souza após a fuga não foi feita pela polícia. Ele foi rendido às margens do Rio do Campo pelo caminhoneiro Irineu Alves dos Santos, que é ex-policial civil. Ele disse que ouviu a notícia da fuga pelo rádio e desconfiou do homem que viu correndo perto do rio. O caminhoneiro estava numa borracharia ao lado. Santos deu a voz de prisão para o fugitivo usando um telefone celular como se fosse um revólver. Segundo ele, Souza disse que estava ferido e não reagiu. Só depois é que a polícia chegou ao local.